Um dos momentos mais simbólicos do calendário cultural da Bahia está prestes a ser revivido. O bloco afro Olodum confirmou seu retorno à tradicional Lavagem do Bonfim após um quarto de século de ausência. A última participação do grupo na festa religiosa ocorreu no longínquo ano de 2001.
Um retorno histórico com cortejo grandioso
A volta do Olodum ao evento será marcada por um espetáculo de cores, sons e movimentos. A organização prepara um grande cortejo cultural que promete emocionar o público. A apresentação contará com a força rítmica de 120 percussionistas e a energia de 80 dançarinos, que desfilarão acompanhados por mais de 20 alegorias.
O evento está programado para a quinta-feira, dia 15 de janeiro de 2026. A concentração começará às 9h da manhã, em frente ao icônico Mercado Modelo, no centro de Salvador. De lá, o cortejo seguirá em caminhada até o Largo da Calçada, em um trajeto aberto a todos os públicos, reforçando a ocupação cultural dos espaços públicos da cidade.
O apoio do Programa Ouro Negro
Este retorno triunfal não seria possível sem um importante apoio institucional. A participação do Olodum na Lavagem do Bonfim conta com o respaldo do Programa Ouro Negro, uma iniciativa do Governo do Estado da Bahia.
Coordenado pela Secretaria de Cultura (SecultBA) e pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), o programa é uma política pública criada em 2008 especificamente para fomentar manifestações da cultura afro-brasileira.
O edital de 2026 do Projeto Ouro Negro representou um investimento significativo de R$ 17 milhões. Esses recursos são destinados ao apoio de entidades culturais de matrizes africanas. Nesta edição, 138 projetos foram contemplados, demonstrando o compromisso em fortalecer grupos que são pilares da identidade cultural e histórica baiana.
Um marco no calendário cultural baiano
A presença do Olodum na Lavagem do Bonfim vai muito além de um simples desfile. Ela simboliza a reconexão de um dos blocos afro mais importantes do país com uma das celebrações de maior participação popular do estado.
Este retorno reforça a relação histórica e profunda que o Olodum mantém com as festas populares da Bahia. A iniciativa está alinhada com a Lei nº 13.182/2014, que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia, da qual o Programa Ouro Negro faz parte.
O momento é celebrado como uma vitória da cultura e da tradição, garantindo que as novas gerações possam testemunhar a fusão do sagrado e do profano, da fé e da expressão artística negra, em uma das festas mais autênticas e emocionantes do Brasil.