Memorial vivo homenageia Mamonas Assassinas com árvores e cinzas em Guarulhos
Memorial vivo com árvores homenageia Mamonas Assassinas

Memorial vivo une cinzas dos Mamonas Assassinas a sementes de jacarandá em gesto de eternidade

Exatamente três décadas após o trágico acidente aéreo que ceifou as vidas dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas, as famílias inauguraram nesta segunda-feira, 2 de março, um memorial profundamente simbólico no Cemitério Primaveras, em Guarulhos, na Grande São Paulo. O espaço, concebido como um tributo permanente, receberá cinco majestosos jacarandás, cada um representando um dos talentos perdidos: Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio. A cerimônia, íntima e reservada aos familiares, iniciou-se por volta das 14 horas, marcando um momento de renovação e homenagem eterna.

Processo de germinação e incubação das cinzas

Em um ritual carregado de significado, parte das cinzas dos músicos – resultantes da cremação após exumação – foi cuidadosamente misturada a sementes de jacarandá e depositada em urnas individuais. Cada urna, identificada com fotografia e nome do respectivo artista, foi então transportada para uma incubadora especializada, localizada a poucos metros do memorial principal. Conforme explicado pelo Jardim BioParque Memorial, as urnas permanecerão neste centro de incubação por um período que varia entre 12 e 24 meses, tempo necessário para que as sementes germinem e se desenvolvam em mudas vigorosas.

O memorial em si já apresenta placas que indicam o local exato onde cada árvore, carregando as cinzas do músico que representa, será finalmente plantada. A famosa Brasília amarela, ícone da banda, está posicionada na frente do espaço, enquanto atrás se encontram os túmulos originais dos integrantes, que serão mantidos como referência histórica.

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Descobertas intactas durante a exumação

Um dos momentos mais emocionantes e surpreendentes ocorreu em 23 de fevereiro, durante o processo de exumação. Sobre o caixão de Dinho, o carismático vocalista, foi encontrada uma jaqueta perfeitamente intacta. Da mesma forma, um bicho de pelúcia em excelente estado de conservação foi localizado sobre o caixão de Bento, o talentoso guitarrista. O g1 e a TV Globo obtiveram acesso exclusivo às imagens desses itens.

Jorge Santana, CEO da marca Mamonas, esclareceu que a jaqueta – do mesmo modelo daquela vista no local do acidente, porém na cor vermelha – foi colocada sobre o caixão de Dinho no dia do sepultamento por um membro da equipe da banda. A pelúcia encontrada com Bento, segundo relatos familiares, teria sido um presente de um fã à mãe do músico, posteriormente depositada como homenagem. A explicação para a preservação extraordinária da jaqueta reside no material: confeccionada em nylon, um tipo de plástico que pode levar até 200 anos para se decompor, especialmente em condições de enterramento.

Destino dos objetos e conceito do memorial ecológico

A família de Dinho planeja encaminhar a jaqueta histórica para o museu do Centro Universitário FIG-Unimesp, em Guarulhos, onde integrará um acervo de exposição permanente. Já o bicho de pelúcia será exposto no próprio memorial do Cemitério Primaveras. A iniciativa do memorial ecológico, batizado de Jardim BioParque Memorial Mamonas, surgiu de uma proposta do grupo gestor do cemitério e foi aprovada unanimemente pelas famílias. O objetivo é transcender a lógica do túmulo estático, criando um "memorial vivo" que una natureza, tecnologia e memória.

Cada jacarandá terá identificação nominal e estará conectado a recursos digitais, permitindo que visitantes acompanhem o crescimento das árvores em tempo real e acessem um rico conteúdo multimídia sobre a banda, incluindo clipes, entrevistas e registros históricos. A visitação será gratuita, e as famílias terão controle sobre o conteúdo disponibilizado, tanto no espaço físico quanto nas plataformas digitais. A cidade de Guarulhos, berço da banda, pretende integrar este memorial à sua rota cultural oficial.

Legado ampliado e documentário especial

Paralelamente, as famílias estudam a criação de um museu dedicado ao grupo, que abrigaria um acervo de roupas e objetos pessoais, além de ampliar as ações do já existente Instituto Mamonas Assassinas. Este instituto já desenvolve projetos sociais significativos, como o Mamonas Futebol para Amputados e iniciativas voltadas ao autismo.

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Nesta mesma segunda-feira, a TV Globo apresentou o documentário ‘Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú’, que reconstrói a meteórica e marcante trajetória da banda através de imagens de arquivo e depoimentos exclusivos de familiares e personalidades impactadas pelo grupo. A produção, exibida no ‘Cine BBB’ e no ‘Tela Quente’, oferece um relato repleto de humor, emoção e nostalgia, reafirmando o legado indelével dos cinco jovens de Guarulhos trinta anos após sua partida inesperada.