Grupo Maria Cutia encena 'O Auto da Compadecida' com direção de Gabriel Villela no Rio
Maria Cutia encena 'Auto da Compadecida' com Gabriel Villela

Grupo Maria Cutia de Teatro encena clássico de Suassuna com direção de Gabriel Villela no Rio

O Grupo Maria Cutia de Teatro, uma companhia mineira com mais de duas décadas de trajetória, está realizando uma apresentação especial da peça 'O Auto da Compadecida' no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro. Com direção do renomado Gabriel Villela, a montagem combina o texto farsesco de Ariano Suassuna com um repertório musical que inclui canções de grandes nomes da música popular brasileira, criando uma experiência teatral vibrante e atual.

Uma fusão entre teatro clássico e música brasileira

Escrita originalmente em 1955 por Ariano Suassuna, 'O Auto da Compadecida' é uma das obras mais icônicas do teatro brasileiro. Na encenação do Grupo Maria Cutia, o diretor Gabriel Villela inova ao integrar músicas de Caetano Veloso, Roberto Carlos, Sérgio Sampaio e Zeca Baleiro, artistas que eram adolescentes ou ainda não haviam nascido quando a peça foi criada. Essa fusão não apenas enriquece a narrativa, mas também conecta o texto clássico com a cultura contemporânea, destacando sua relevância nos dias atuais.

As apresentações acontecem de quinta-feira a domingo, com sessões agendadas até o dia 29 de março, na arena do Sesc Copacabana. Esta é a primeira vez que o grupo se apresenta no Rio de Janeiro após incríveis 20 anos de existência, marcando um momento significativo na carreira da companhia.

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O elenco e a direção que dão vida à obra

Com um elenco talentoso de sete atores, o Grupo Maria Cutia consegue interpretar com maestria os 13 personagens da peça. Entre os destaques estão:

  • Leonardo Rocha no papel de João Grilo
  • Hugo da Silva como Chicó e Severino do Aracaju
  • Mariana Arruda interpretando a Mulher do Padeiro e Nossa Senhora Compadecida
  • Dê Jota Torres nos papéis de Palhaço, Padeiro e Manuel – Nosso Senhor Jesus Cristo

Gabriel Villela, em sua primeira parceria com o grupo, utiliza uma estética visual barroca e cores vibrantes para criar um cenário tropicalista que realça a mordacidade do texto de Suassuna. A direção também incorpora referências ao cenário político atual, adicionando camadas de significado à encenação.

Músicas que complementam a narrativa

As canções escolhidas para a montagem não são meramente decorativas; elas desempenham um papel fundamental na construção da atmosfera da peça. Músicas como 'Alegria alegria' e 'Tropicália' de Caetano Veloso, com pequenas adaptações nas letras, e 'Eu quero é botar meu bloco na rua' de Sérgio Sampaio, cantada na abertura e no encerramento, envolvem o público em uma experiência quase carnavalesca.

Além disso, a nordestinidade da farsa é acentuada pela interpretação de 'Carcará', enquanto a moralidade cristã do texto é reforçada por canções como 'Jesus Cristo' de Roberto Carlos e 'Heavy metal do Senhor' de Zeca Baleiro. Essas escolhas musicais não apenas embelezam a encenação, mas também ampliam o impacto crítico e satírico da obra original.

Uma montagem que permanece viva e relevante

Estreada em 2019 na Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, a montagem de 'O Auto da Compadecida' pelo Grupo Maria Cutia continua a encantar plateias após seis anos em cartaz por diversos festivais pelo Brasil. O elenco, em estado de graça, valoriza cada elemento da produção, desde a cena até o texto e as músicas, demonstrando a atualidade perene da obra de Suassuna diante da hipocrisia nacional.

Esta encenação representa um encontro extremamente feliz entre Gabriel Villela e o Grupo Maria Cutia de Teatro, resultando em uma obra que respeita a tradição teatral brasileira enquanto inova com elementos contemporâneos. Para os amantes do teatro e da cultura nacional, é uma oportunidade única de reviver um clássico com novas perspectivas e emoções.

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