Zeneida Lima, última pajé marajoara, será homenageada pela Beija-Flor no Carnaval 2027
Última pajé marajoara homenageada no Carnaval 2027

Zeneida Lima: a última pajé marajoara que conquistou o Carnaval

Nascida em Soure, no arquipélago do Marajó, no estado do Pará, Zeneida Lima representa uma das mais importantes referências culturais da região amazônica. Aos 91 anos, ela é reconhecida como a última pajé marajoara, além de atuar como compositora, escritora, poeta e ativista social. Sua trajetória ganhou projeção nacional e agora será celebrada em grande estilo: a Beija-Flor de Nilópolis anunciou que Zeneida será a homenageada no Carnaval do Rio de Janeiro de 2027.

Uma vida dedicada à cultura e à comunidade

Zeneida Lima é fundadora e líder da Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia (ICMCE), organização que atende aproximadamente 200 crianças e adolescentes oferecendo educação, aulas de música, dança e conscientização sobre preservação ambiental. Desde jovem, ela sonhava em acolher crianças carentes da região, um sonho que se concretizou com a criação da fundação. "Eu pude dar pra essas crianças aquilo que não tive. Isso que eu não tive eu dou pra essas crianças e isso me sarou. Depois que fiz a Fundação eu me vi realizada", revela a ambientalista.

A conexão com o Carnaval e o reconhecimento nacional

A história de Zeneida com o Carnaval não é recente. Em 1992, ela publicou o livro "O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó", obra que inspirou o desfile da Beija-Flor intitulado "O mundo místico dos caruanas nas águas do Patu-Anu", que conquistou o título de campeã em 23 de fevereiro de 1998. A pajé relembra com detalhes sua participação naquele carnaval vitorioso: "Eu fui olhar nas energias das águas e vi que o problema era o carnavalesco. Tinha que trocar, além de fazer uma pajelança pra comunidade. Nós ganhamos o carnaval".

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Quase três décadas após esse primeiro título, a escola de samba retoma a trajetória da paraense no enredo "Zeneida: O Sopro do Pó de Louro", assinado por João Vitor Araújo em parceria com os pesquisadores Vivian Pereira, Guilherme Niegro e Bruno Laurato. A equipe viajou até a cidade de Soure para captar a essência espiritual marajoara que será levada para a Marquês de Sapucaí.

Iniciação como pajé e contribuições à cultura amazônica

Zeneida conta que sua iniciação como pajé ocorreu ainda na infância, quando viveu uma experiência marcante: foi raptada por 'seres encantados' e desapareceu por mais de dez dias em um processo de transformação espiritual. "De lá para cá, eu fui iniciada como pajé e com 12 anos eu já trabalhava com isso, curando as pessoas", afirma a escritora.

Suas contribuições para a cultura, educação e saberes amazônicos foram reconhecidas em 2021, quando recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade do Estado do Pará (Uepa). Além disso, sua vida foi retratada no filme "Encantados", dirigido por Tizuka Yamasaki, ampliando ainda mais seu legado.

O legado ambiental e as esperanças para o futuro

Na instituição que fundou, Zeneida ensina noções de preservação ambiental para as novas gerações, transmitindo seu profundo respeito pela natureza. "O meu sonho era que as pessoas todas se unissem e cuidassem mais da natureza, porque ele está doente, muito doente. Eu queria que a próxima geração ainda encontrasse o que nós encontramos aqui", declara a ambientalista, expressando sua preocupação com o futuro do meio ambiente.

Ao completar 91 anos, Zeneida Lima continua sendo um símbolo de resistência cultural, espiritualidade e compromisso social. Sua homenagem no Carnaval de 2027 não apenas celebra uma vida extraordinária, mas também coloca em evidência a riqueza cultural do Marajó e da Amazônia para todo o Brasil.

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