Influenciadoras digitais transformam o Carnaval: tradição versus engajamento
Influenciadoras digitais no Carnaval: tradição vs. engajamento

Influenciadoras Digitais Revolucionam o Carnaval: Um Debate Entre Tradição e Visibilidade

O Carnaval brasileiro está passando por uma transformação profunda, onde influenciadoras digitais, como Virginia Fonseca, estão assumindo papéis de destaque nas escolas de samba, substituindo atrizes tradicionais. Esse movimento tem gerado um intenso debate sobre como equilibrar a essência cultural da festa com a busca por engajamento nas redes sociais.

A Nova Face das Rainhas de Bateria

Virginia Fonseca, uma das maiores influenciadoras do país, estreia como rainha de bateria da Grande Rio no lugar de Paolla Oliveira. Mesmo sem experiência prévia no samba, sua presença simboliza uma mudança significativa: as escolas estão apostando em visibilidade digital para atrair novos públicos.

Para muitos sambistas, o cargo de rainha de bateria carrega um valor simbólico ligado à vivência no Carnaval e ao pertencimento comunitário. A escolha de figuras "de fora" levanta questões sobre se o critério principal é o alcance midiático, em vez da história ou comprometimento cultural.

Hipermidiatização e Seus Impactos

A presença de influenciadoras intensifica a exposição das escolas, como a Grande Rio, que já conta com forte presença de celebridades. Críticos alertam para o risco de o desfile ser visto mais como "conteúdo para redes sociais" do que como uma expressão coletiva. Isso pode deslocar o foco do samba e do enredo para a figura individual da rainha, contrariando a ideia do Carnaval como espetáculo coletivo.

Por outro lado, influenciadoras funcionam como vetores de circulação cultural, ampliando o alcance da festa para além da Sapucaí e do Anhembi. Elas transformam ensaios e bastidores em conteúdo contínuo nas redes, aproximando jovens que não tinham vínculo com o samba e fortalecendo a dimensão econômica do Carnaval através de patrocínios e visibilidade internacional.

Casos Polêmicos e Cancelamentos

Exemplos como Hariany Almeida e Rayane Figliuzzi ilustram os desafios enfrentados. Hariany, ex-BBB, enfrentou críticas por sua atuação na Imperatriz Leopoldinense e foi removida do posto após repercussão negativa. Rayane Figliuzzi, da Vila Isabel, foi destronada devido a compromissos não cumpridos e um comentário racista, reforçando a importância dos valores de respeito nas escolas.

Esses casos mostram que a presença de influenciadoras não é apenas uma estratégia de marketing, mas um sintoma cultural que tensiona valores históricos do Carnaval, como tradição e pertencimento.

O Desafio das Escolas de Samba

O desafio não é excluir influenciadoras, mas reinscrever sua participação dentro de uma ética de pertencimento e continuidade cultural. As escolas devem preservar o Carnaval como patrimônio vivo, evitando que se torne apenas conteúdo viral. Isso envolve equilibrar o fascínio pelo engajamento digital com a necessidade de manter a essência da festa.

No passado, figuras como Luma de Oliveira e Luiza Brunet, embora não fossem da comunidade, se integraram profundamente aos ensaios e conquistas das agremiações. Hoje, a disputa é entre a memória e a viralização, revelando choques entre diferentes regimes de valor no universo carnavalesco.

Lista de Participações no Carnaval 2026

  • Rainhas de Bateria: Virginia Fonseca (Grande Rio), Mileide Mihaile (Unidos da Tijuca)
  • Musas: Gkay (Salgueiro e Camisa 10), Brunna Gonçalves (Grande Rio), Bruna Griphao (Salgueiro), Cíntia Dicker (Salgueiro), Gabi Martins (Vila Isabel), Ray Figliuzzi (Vila Isabel), Luiza Caldi (Vila Isabel), Lore Improta (Viradouro), Lorena Maria (Unidos de Padre Miguel)

Em síntese, a entrada de influenciadoras digitais no Carnaval reflete as transformações do espetáculo no século XXI, colocando em pauta questões sobre representatividade, cultura popular e sobrevivência em um ecossistema mediado por algoritmos. O futuro da festa dependerá de como as escolas conseguem harmonizar tradição e inovação.