Caos no trânsito transforma noite do Guns N' Roses em pesadelo para fãs em Campo Grande
O que prometia ser uma celebração épica do rock se transformou em um verdadeiro pesadelo logístico na noite desta quinta-feira (9) em Campo Grande. Fãs da lendária banda Guns N' Roses enfrentaram um caos monumental no trânsito para chegar ao show no Autódromo localizado na BR-262, com congestionamentos que ultrapassaram três horas de duração e obrigaram parte do público a caminhar distâncias extraordinárias.
Trânsito paralisado e caminhada forçada de até 15 quilômetros
O acesso ao local do evento ocorreu por uma única via, a BR-262, onde a Polícia Rodoviária Federal (PRF) montou um esquema especial que se mostrou completamente insuficiente para o volume de veículos. A fila de carros chegou a impressionantes 13 quilômetros, estendendo-se desde a Avenida Ministro João Arinos até a rodovia federal.
Diante da paralisia total, centenas de fãs desistiram de aguardar dentro de seus veículos e optaram por seguir a pé rumo ao autódromo. Relatos indicam que muitas pessoas caminharam mais de 10 quilômetros, com alguns alcançando a marca dos 15 quilômetros de percurso a pé sob o calor do final de tarde.
Show atrasado em quase duas horas e público dividido
O caos logístico impactou diretamente o início da apresentação. Programado para começar às 20h30, o show do Guns N' Roses só teve início às 22h, quase duas horas de atraso que deixaram o público já exausto ainda mais impaciente.
Às 21h, quando o show deveria estar em andamento há meia hora, apenas cerca de 16 mil pessoas haviam conseguido chegar à arena, segundo apuração realizada no local. Considerando que a expectativa era de público de 35 mil pessoas, isso significava que aproximadamente metade dos fãs ainda estava presa no trânsito quando a banda deveria estar no palco.
Falta de transporte público agrava situação
Um dos fatores que contribuíram significativamente para o caos foi a ausência de transporte coletivo acessível fornecido pela prefeitura de Campo Grande. Os fãs dependiam exclusivamente de veículos particulares, transporte por aplicativo, ônibus e vans fretadas.
Um dos principais pontos de saída ficava na Praça do Rádio Clube, situada a aproximadamente 18 quilômetros do autódromo. Relatos indicam que pessoas que saíram deste ponto às 16h só conseguiram chegar ao destino por volta das 21h, após cinco horas de percurso que normalmente levaria menos de 20 minutos.
- Ônibus da linha 075, que liga o Terminal General Osório ao Guaicurus, registraram atrasos de quase 40 minutos
- Em dias normais, o trajeto até o autódromo leva cerca de 9 minutos, mas nesta quinta o percurso chegou a mais de três horas
- Alguns fãs recorreram a corridas de moto por aplicativo na tentativa desesperada de chegar mais rápido
Moradores da região também sofrem com o caos
O impacto do evento não se limitou aos fãs da banda. Moradores da região leste de Campo Grande enfrentaram sérias dificuldades para retornar às suas casas após o trabalho, com o transporte coletivo completamente desorganizado e veículos parados por horas.
No ponto de integração Hércules Maymone, que atende bairros como Jardim Noroeste e José Abrão, passageiros aguardavam ônibus que simplesmente não chegavam. Funcionários relataram que os veículos deixaram de circular por volta das 16h, deixando dezenas de pessoas completamente abandonadas.
"Estou aqui desde às seis e meia da tarde. Eu deveria pegar o 517, que é o Leon ou o Noroeste, qualquer um dos dois já me atenderia. Nenhum chegou!", desabafou a vendedora Araújo Costa, que esperava há duas horas sem perspectiva de transporte. "Estou indignada, revoltada, porque é uma coisa totalmente sem planejamento. Não pensaram no pessoal que depende do ônibus".
O eletricista Gustavo Henrique Rodrigues, morador do Jardim Noroeste, enfrentava uma situação ainda mais crítica: "É prejuízo para gente, cansaço. Vou chegar que horas em casa? Dez, onze horas da noite? Tô correndo atrás de guincho há mais de cinco horas e não consegui. Tá difícil".
Produção reconhece problemas de logística
Às 21h45, já com quase uma hora e meia de atraso, a produção do show fez um anúncio no palco pedindo compreensão ao público e informando que o atraso da banda ocorreu por questões de logística. Mesmo após o início da apresentação, a fila de veículos na BR-262 ainda se estendia por mais de 6 quilômetros, indicando que o caos no trânsito persistia.
Por volta das 22h, o trânsito continuava praticamente parado na Avenida Ministro João Arinos, com moradores enfrentando dificuldades extremas para deixar a região. O evento que deveria trazer alegria e entretenimento se transformou em uma experiência exaustiva para fãs e moradores, levantando sérias questões sobre o planejamento logístico de grandes eventos na capital sul-mato-grossense.



