Ex-diretor da Unidos do Jacarezinho denuncia calote após desfile problemático na Série Ouro
Ex-diretor denuncia calote da Unidos do Jacarezinho após desfile

Ex-diretor da Unidos do Jacarezinho denuncia calote após desfile problemático na Série Ouro

Um ex-diretor da Unidos do Jacarezinho, escola de samba da Série Ouro do carnaval carioca, utilizou as redes sociais nesta terça-feira (17) para realizar uma denúncia grave de calote financeiro. Luciano Junior afirma publicamente que não recebeu valores previamente acordados com Mattheus Gonçalves, atual presidente da agremiação.

Acordo salarial não cumprido após liberação de recursos públicos

Na publicação detalhada, Luciano revelou que firmou um acordo em julho de 2025 para dobrar seu salário de R$ 600 para R$ 1.200 mensais. Contudo, o pagamento integral só ocorreria após a liberação da subvenção – verba que o poder público concede anualmente às escolas de samba. "A subvenção, os apoios e as verbas que a escola recebeu foram liberados em janeiro [de 2026]. Quando comecei a cobrar o pagamento do meu trabalho, conforme o acordo, simplesmente deixei de ter qualquer retorno do presidente", escreveu o ex-diretor em suas redes sociais.

Segundo seu relato, outros profissionais teriam sido devidamente pagos após o desfile realizado na sexta-feira (13), que abriu a primeira noite da divisão de acesso. No entanto, o valor combinado especificamente com Luciano permanece em aberto, embora ele não tenha divulgado o montante exato devido.

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Trajetória na escola e desligamento recente

Luciano Junior trabalhou inicialmente na Unidos do Jacarezinho quando a agremiação ainda desfilava na Intendente Magalhães, recebendo R$ 400 mensais. Com a ascensão para a Série Ouro, seu salário teria sido ajustado para R$ 600 antes do acordo de aumento. "Não é justo que um profissional que deu o seu máximo seja desrespeitado e ignorado ao cobrar algo que é seu por direito", desabafou em sua publicação.

Na sexta-feira (13), mesmo dia do desfile, Luciano anunciou sua saída da escola através de um vídeo emocionado nas redes sociais. Ele descreveu a decisão como "dolorosa", mas afirmou deixar o cargo com a "consciência tranquila". "Eu tô aqui nesse vídeo anunciando a minha saída da Unidos do Jacarezinho. É muito doloroso, sabe? Você sonhar, idealizar um momento tão especial e ele acabar dessa forma", declarou.

Desfile marcado por dificuldades estruturais

A Unidos do Jacarezinho voltou à Marquês de Sapucaí após treze anos fora do Grupo Especial, desfilando pela Série Ouro com um enredo que homenageou o cantor Xande de Pilares. No entanto, a apresentação foi profundamente impactada por uma série de adversidades:

  • Alas inteiras desfilaram sem as fantasias adequadas
  • Alegorias foram apresentadas com acabamentos simples e em tamanho reduzido
  • Muitos componentes utilizaram apenas camisas da escola

Essas dificuldades têm relação direta com dois incêndios significativos que atingiram a escola nos últimos meses. Em outubro de 2025, um fogo destruiu completamente o barracão da agremiação na Via Binário do Porto, no Santo Cristo, Zona Portuária do Rio, onde estavam armazenadas alegorias, adereços e fantasias. Posteriormente, em 5 de fevereiro de 2026, outro incêndio atingiu as instalações administrativas da quadra na Avenida Dom Hélder Câmara, na Zona Norte, resultando na perda de doze alas completas e diversos adereços. Felizmente, ninguém se feriu em nenhum dos incidentes.

Silêncio da agremiação

Procurada para se manifestar sobre as acusações de calote feitas por Luciano Junior, a Unidos do Jacarezinho ainda não emitiu qualquer posicionamento oficial até o fechamento desta reportagem. A escola enfrenta agora a possibilidade de rebaixamento após um desfile considerado abaixo das expectativas, enquanto lidam com questões trabalhistas internas que vieram à tona publicamente.

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