Desfile de máscaras assustadoras encerra Carnaval centenário em Leme com tradição imigrante
Desfile de máscaras assustadoras encerra Carnaval em Leme

Desfile de máscaras assustadoras marca encerramento do Carnaval em Leme

O último dia do Carnaval de Leme, no interior de São Paulo, foi marcado por uma tradição centenária que transformou as ruas da cidade em um espetáculo de criaturas fantásticas. Centenas de moradores e visitantes se reuniram nesta terça-feira (17) para acompanhar o tradicional Desfile de Máscaras, que apresenta figuras assustadoras de monstros, demônios e palhaços.

Artesanato detalhado e materiais diversificados

As fantasias que desfilaram pelas ruas de Leme são verdadeiras obras de arte, construídas com uma variedade impressionante de materiais. Argila, fibras de vidro, resina, papel machê, sementes, flores e sucata são alguns dos elementos utilizados pelos artesãos locais para dar vida às suas criações. Cada detalhe é cuidadosamente planejado e executado, resultando em máscaras que misturam o assustador com o artisticamente elaborado.

Concurso premia melhores fantasias em quatro categorias

Um dos pontos altos do evento foi o concurso que escolheu as melhores fantasias em quatro categorias distintas:

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  • Tradicional raiz: Os jurados avaliaram a criatividade na construção de monstros, dragões e demônios. O vencedor foi "Coração da Floresta Sombria".
  • Folião: A performance e interação com o público foram os critérios principais. "Carrasco da Copa" levou o prêmio.
  • Personagens: A imitação de personagens inspirados em cinema e histórias em quadrinhos foi avaliada. "Stitch e Angel" foram os vencedores.
  • Categoria infantil: A criatividade e beleza das fantasias das crianças foram premiadas, com "Palhaço Cowboy" como ganhador.

Leonardo Vieira Ligo, vencedor da categoria Tradicional Raiz, compartilhou sua emoção em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo: "É difícil de explicar, a gente tem um trabalho tão pesado. É uma sensação inexplicável porque é um trabalho muito grande, é uma recompensa enorme", declarou o participante, que estava em sua segunda participação no desfile.

Origens imigrantes e evolução da tradição

A festa tem raízes profundas que remontam ao final do século 19, quando imigrantes italianos e alemães chegaram ao município e se estabeleceram na fazenda Cresciumal, fundada pelo Barão de Souza Queiroz em 1840. Inspirados nos bailes de máscaras europeus, esses imigrantes trouxeram consigo tradições que se adaptaram ao contexto brasileiro.

José Kilian, aposentado e descendente de uma das primeiras famílias que trouxeram o carnaval para Leme, explicou em entrevista à EPTV em 2024: "Na Alemanha tem uma tradição que é os bate-bolas, que é para espantar os maus espíritos da lavoura. Então eles trouxeram para cá e começaram a usar no carnaval".

A fazenda chegou a abrigar cerca de 300 famílias, mas com o tempo, assim como os trabalhadores foram embora, em 2011 o desfile saiu da zona rural e foi para a cidade. Ao longo dos anos, os artesãos e criadores das máscaras assustadoras foram "abrasileirando" a tradição recebida dos avós, incorporando elementos locais e adaptando-se ao contexto cultural brasileiro.

Dinâmica entre palhaços e monstros

Durante a festa, dois grupos de personagens desempenham funções distintas que criam uma dinâmica única:

  1. Os monstros: Têm a missão de dançar e cair na folia, exibindo sua feiura de maneira performática e envolvente.
  2. Os palhaços: Assumem a função de aterrorizar os foliões, que correm para não levar uma "bexigada" nas costas. As bexigas infladas são arremessadas com força, criando um clima de brincadeira e perseguição que envolve todos os participantes.

Esta tradição das bexigadas tem origem nas práticas alemãs de espantar maus espíritos, que foram adaptadas para o contexto carnavalesco brasileiro, criando uma interação única entre participantes e espectadores.

O Desfile de Máscaras de Leme representa não apenas uma celebração carnavalesca, mas a preservação viva de uma tradição cultural que atravessa gerações, mantendo viva a memória dos imigrantes que ajudaram a construir a identidade da região enquanto se adapta e evolui com o tempo.

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