Carnaval 2026 em Santos: Chuva e Emoção Marcam Desfiles com Enredos Sociais e Culturais
Oito escolas de samba transformaram a passarela do samba Dráuzio da Cruz em um palco de emoção, história e espetáculo na noite de sábado (7), em Santos, no litoral de São Paulo. Quatro agremiações do Grupo de Acesso e quatro do Grupo Especial apresentaram seus enredos, muitos com forte conteúdo social e cultural, mesmo debaixo de um dilúvio que formou poças d'água na avenida.
Grupo de Acesso Abre a Noite Sob Chuva Intensa
A Imperatriz Alvinegra, de São Vicente, foi a primeira escola a desfilar, entrando na avenida às 20h com o enredo “No puro sangue do maior São João, a Imperatriz vem balançar o sertão”. Com cerca de 700 componentes, a agremiação exaltou a cultura nordestina, destacando histórias de cangaceiros como Lampião e Maria Bonita. A porta-bandeira Marcinha Imperatriz ressaltou que a homenagem é um reconhecimento às quadrilhas da cidade, que já conquistaram diversos troféus.
Em seguida, a Dragões do Castelo apresentou o tema “Não adianta mandinga, muito menos olho gordo... Dragões do Castelo, olha nós aí de novo!”, focando em mandingas e patuás populares para afastar energias negativas. Com 800 componentes, o desfile foi marcado por simbolismos espirituais, e a porta-bandeira Nataly Wonsuite terminou chorando de emoção.
A Unidos da Zona Noroeste trouxe um enredo crítico com “Falsa Abolição – Somos os netos dos negros que vocês não conseguiram matar”, ressaltando a luta do povo negro contra a escravidão. Com 750 componentes, a escola evidenciou as lutas diárias enfrentadas pela população negra, com destaque para a ala mirim, ovacionada pelo público.
Fechando o Grupo de Acesso, a Sangue Jovem desfilou determinada a retornar à elite com o enredo “Santos: Maior Espetáculo da Terra”, uma homenagem aos tempos áureos do Santos Futebol Clube. Cerca de 700 componentes, incluindo jogadores veteranos, participaram da apresentação.
Grupo Especial Apresenta Temas de Superação e Preservação
Abrindo o Grupo Especial, a Mocidade Independente Padre Paulo apresentou “Guerreiro Menino e a Jornada ao Eldorado Social”, destacando as conquistas de jovens da periferia. Com 1.200 componentes, a escola homenageou a trajetória do educador físico Alex Tadeu, fundador da UACEP. Durante a dispersão, um risco de incêndio em um carro alegórico mobilizou o Corpo de Bombeiros, mas a situação foi controlada sem maiores danos.
A Mocidade Amazonense, de Guarujá, exaltou suas raízes indígenas com o enredo “Enawenê Amazonawê – O feitiço amazonense tem poder”. Com 1.100 componentes, a agremiação apresentou um carro abre-alas com duas onças gigantes em uma “floresta encantada”, abordando também elementos de bruxaria e misticismo.
Em busca do bicampeonato, a X-9 desfilou sob forte chuva com o enredo “Eu vim aqui para te mostrar que o mar está em todo lugar!”. Com 1.370 componentes, a escola proporcionou um mergulho no fundo do mar, com uma mensagem forte de preservação ambiental. A porta-bandeira Thais Paragassu ressaltou a energia da arquibancada e a importância da conscientização ecológica.
Encerrando a noite, a Unidos dos Morros apresentou “O bicho nosso de cada dia – Um jeitinho brasileiro de sonhar”, abordando a história do jogo do bicho desde seu surgimento em 1892. Com 1.500 componentes, a escola retratou a popularização e o impacto cultural do jogo, com a porta-bandeira Lyssandra Grooters destacando a vibração do público.
Os desfiles, que variaram de 42 a 54 minutos, demonstraram a riqueza cultural e a diversidade temática do Carnaval santista, superando as adversidades climáticas com muita emoção e dedicação das agremiações.