Carnaval 2026 do Rio terá apuração com subquesitos e descarte de notas
O Rio de Janeiro vai conhecer na tarde desta Quarta-Feira de Cinzas, 18 de fevereiro, a grande campeã do Carnaval 2026. O g1 e a TV Globo transmitem a apuração ao vivo, logo depois da novela Rainha da Sucata no Vale a Pena Ver de Novo. O evento traz várias mudanças significativas no regulamento: aumento no número de julgadores, cabines espelhadas, subquesitos inéditos e descarte de metade das notas.
Novo sistema de apuração e critérios de desempate
As emoções começam já no início da tarde, quando a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) realiza dois sorteios importantes. Nove bolinhas serão tiradas do globo para estabelecer a ordem de leitura dos quesitos. Caso haja igualdade entre as escolas, os últimos envelopes a serem abertos definirão a campeã.
Um dos aspectos mais relevantes é o descarte de jurados. Dos 54 avaliadores que deram notas, apenas 36 terão seus envelopes abertos na apuração. Para isso, em um sorteio específico, a Liga vai retirar da planilha dois julgadores em cada quesito. Os 54 julgadores foram distribuídos em quatro módulos: um no começo da Avenida, dois no meio e um no fim.
As cabines das extremidades são duplas, com dois julgadores por quesito, mas o sorteio vai eliminar um deles por módulo. Na hora da leitura, serão consideradas 36 notas, ou quatro jurados para nove quesitos. Como aconteceu nos últimos anos, a menor nota em cada fundamento será excluída da soma. Restarão, portanto, 27 notas válidas, exatamente a metade do total concedido, que varia de 9,0 a 10,0.
Obrigatoriedades e critérios de desempate detalhados
Antes de abrir os envelopes do júri, a Liga observará se todas as escolas cumpriram as obrigatoriedades. Uma delas é o tempo de desfile, fixado entre 70 e 80 minutos: cada minuto estourado custará 0,1 ponto. A agremiação que encerrar a apresentação abaixo de 70 minutos também será punida na mesma medida.
Outros itens preveem decréscimo de 0,5 ponto e envolvem o número de integrantes. A ala de baianas com menos de 60 senhoras é um exemplo claro. O empate só pode acontecer na primeira colocação, e apenas se as escolas tiverem exatamente a mesma pontuação final, com os mesmos nove subtotais, considerando as 27 notas válidas.
Em qualquer outra situação, a Liesa seguirá esta ordem de critérios:
- Soma dos quesitos na ordem inversa do sorteio: a comparação começa pelo último quesito lido. Vence quem tiver a maior soma no subtotal. Se continuar empatado, passa-se ao penúltimo quesito sorteado, e assim sucessivamente.
- Maior número de notas 10: se o empate persistir após a comparação dos quesitos, vence a escola que tiver recebido mais notas 10 em todos os quesitos.
- Comparação das notas abaixo de 10: se ainda houver empate, a análise passa a considerar as notas abaixo de 10, começando por 9,9, depois 9,8, 9,7 e assim sucessivamente.
- Sorteio: se todas as etapas anteriores mantiverem o empate, a definição será feita por sorteio.
Cabines espelhadas e subquesitos inéditos
A distribuição dos julgadores pela Sapucaí foi determinada por sorteio. Os 54 julgadores foram alocados em seis cabines instaladas em quatro módulos distintos. Os módulos 2 e 3, os espelhados, representam uma novidade importante. As escolas terão que apresentar quesitos como comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira em 360 graus, contemplando jurados em lados opostos da Avenida.
Todos os nove quesitos que definirão a escola de samba campeã do Carnaval carioca de 2026 foram divididos em subquesitos. Os velhos conhecidos Bateria, Harmonia, Samba-enredo e afins ganharam 26 detalhamentos como Cadência, Fluência e Funcionalidade. Os nove fundamentos passam a ter até quatro partes distintas.
Caberá aos 54 jurados somar os critérios e lançar o total no envelope. O cálculo é complicado porque não há como dar uma nota menor do que 9,0 pelo regulamento. O zero é previsto, mas só se a escola não apresentar o quesito, o que é praticamente impossível. Na matemática do carnaval, então, há subquesitos em que há apenas 1,8, 1,9 e 2,0 como possibilidades de nota.
Detalhamento dos subquesitos e avaliação técnica
Segundo Thiago Farias, coordenador de Jurados da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), a novidade no regulamento foi aprovada em plenária pelas 12 agremiações. O que motivou a subdivisão dos quesitos foi a mudança do método de julgamento, que deixou de ser comparativo, e passou a ser fechado no mesmo dia, explicou.
Desde o ano passado, no fim de cada noite de desfile o jurado precisa preencher o envelope com as notas das quatro escolas que se apresentaram e lacrá-lo. Antes, esse processo só era feito depois que a 12ª agremiação terminasse de desfilar. Então, o julgamento deixou de ser sobre quem foi a melhor para ser sobre quem errou menos. Os 26 subquesitos orientam o júri a olhar com lupa cada pormenor da avaliação.
Alguns novos critérios, como Criatividade ou Espontaneidade, podem parecer subjetivos à primeira vista. Mas Thiago afirma não haver preocupação sobre isso. A entrada desses critérios foi apenas para dar mais clareza e explicação para os quesitos, disse. O novo modelo continua como sempre foi: técnico e transparente, destaca o coordenador.
Os nove quesitos e seus subquesitos detalhados
1. Alegorias e Adereços: avalia a criatividade, o impacto visual, a harmonia e a qualidade plástica. Subdivisões: Concepção (4,5 a 5,0 pontos) e Realização (4,5 a 5,0 pontos).
2. Bateria: considerado o coração da escola. Subquesitos: Manutenção da cadência (3,6 a 4,0), Conjugação dos instrumentos (2,7 a 3,0) e Criatividade e versatilidade (2,7 a 3,0).
3. Comissão de frente: único com quatro subdivisões. Subquesitos: Indumentária e tripé (1,8 a 2,0), Concepção (1,8 a 2,0), Apresentação (3,6 a 4,0) e Criatividade (1,8 a 2,0).
4. Enredo: avalia o desenvolvimento do tema. Subdivisões: Concepção (2,7 a 3,0), Realização (4,5 a 5,0) e Criatividade (1,8 a 2,0).
5. Evolução: analisa o movimento pela Avenida. Subquesitos: Fluência (4,5 a 5,0), Espontaneidade (2,7 a 3,0) e Evolução do componente (1,8 a 2,0).
6. Fantasias: examina beleza, criatividade e acabamento. Subquesitos: Concepção (4,5 a 5,0) e Realização (4,5 a 5,0).
7. Harmonia: avalia integração entre canto e ritmo. Subquesitos: Canto da escola (3,6 a 4,0), Harmonia instrumental (2,7 a 3,0) e Harmonia vocal (2,7 a 3,0).
8. Mestre-Sala e Porta-Bandeira: analisa o casal que conduz o pavilhão. Subquesitos: Indumentária (2,7 a 3,0), Coreografia (2,7 a 3,0) e Sincronismo e harmonia (3,6 a 4,0).
9. Samba-enredo: considerado o pulmão da escola. Subquesitos: Desenvolvimento do enredo (3,6 a 4,0), Riqueza poética e melódica (3,6 a 4,0) e Funcionalidade (1,8 a 2,0).
Essas mudanças representam uma evolução significativa no sistema de julgamento do Carnaval carioca, buscando maior transparência e detalhamento na avaliação das escolas de samba. A apuração promete ser uma das mais técnicas e minuciosas da história do evento.



