Musas do Carnaval respondem ao cancelamento por samba: de Gkay a Lore Improta
As musas das escolas de samba, por estarem à frente dos carros alegóricos e em posição de destaque na Avenida, recebem bastante atenção do público durante o Carnaval. Neste pré-carnaval, muitas foram criticadas por não apresentarem um gingado poderoso e samba no pé, levando a discussões sobre o chamado cancelamento nas redes sociais. A coluna GENTE perguntou para algumas das musas o que pensam sobre esse fenômeno e como lidam com as opiniões dos torcedores das agremiações.
Reações das musas às críticas
As respostas variaram desde a indiferença até a aceitação construtiva, refletindo diferentes experiências e personalidades no mundo do samba.
Lívia Andrade foi direta ao questionar a origem das críticas. "Sempre pergunto assim: 'Criticada por quem? Quem é essa pessoa? Onde vive? Do que se alimenta? Como se reproduz?' Não sei, não conheço essas pessoas", disse ela. "Se é uma crítica de alguém que conheço, vou prestar atenção. Vou ver, de repente, se posso melhorar. Tem muita gente que não tem nem coragem de criticar pelo seu próprio perfil, cria fake. Para mim, uma pessoa que não tem coragem de mostrar quem é não é nem gente".
Gkay, em seu primeiro ano como musa, adotou uma postura mais humilde. "Graças a Deus, recebo muitos elogios, estão vendo minha dedicação. Não sou uma mestra ou a melhor do mundo, estou começando, é meu primeiro ano. A gente tem que se amar, se respeitar e entender que sou bebezinho engatinhando na Sapucaí".
Cíntia Dicker também reconheceu suas limitações. "Se for me cancelar pelo samba, pode cancelar. Não sou passista, não cresci no samba, é meu primeiro ano. Estou dedicada para dar o meu melhor. Não tem como comparar as musas com passistas, lindas, que cresceram aqui. A gente jamais vai conseguir, mesmo se ficar 10 anos no samba, não vou sambar como elas. Adoraria, sonho sambando daquele jeito".
Dedicação e respeito ao Carnaval
Outras musas enfatizaram a importância de honrar a tradição carnavalesca, mesmo diante das cobranças.
Bruna Griphão comentou: "Quando aceitei o convite, sabia que as críticas viriam, até porque o Carnaval merece respeito e dedicação. Quem vive isso o ano inteiro, sabe que é uma imersão, não é só fevereiro. Acho mesmo que é válida a cobrança, afinal a gente aceitou um cargo importante, preciso honrar. Mas o medo nunca me paralisou e isso me define como pessoa".
Alane Dias afirmou não ter recebido muitas críticas. "Graças a Deus, sempre fui muito bem recebida por todo mundo no Carnaval. Não vejo comentários que falam sobre meu samba e, mesmo se recebesse, sempre deixei claro que respeito muito tudo isso. É assim que costumo seguir e como as pessoas costumam observar".
Evolução e superação
Algumas musas compartilharam suas jornadas de aprendizado e crescimento no samba, destacando como superaram as críticas iniciais.
Carol Nakamura refletiu sobre as expectativas do público. "O público está mais exigente e isso é bom. Mas, quando você é exigente num nível que desanima as pessoas, precisa rever as críticas construtivas. Não tenho medo de ser cancelada, posso ser bem exigida pelo fato de ser formada em balé clássico, porém não danço há 15 anos, mas faço minha aula. Nunca vou ser igual a uma passista da comunidade, que nasceu fazendo isso. É impossível, elas são únicas. Parece que tem uma mágica ali, mas se eu chegar próximo, já estou satisfeita".
Rebecca adotou uma abordagem mais descontraída. "Quero que as pessoas falem mesmo que não estou sambando. Comentem e engajem meu post, porque é fácil uma pessoa que não viveu Carnaval ir lá comentar. A gente merece respeito. Muita gente filma, pega um momento em que a pessoa não está sambando e crítica, só querem um motivo para falar".
Lore Improta, com nove anos de experiência na Viradouro, destacou a importância da comunidade. "Já estou na Viradouro há nove anos e sou abraçada pela comunidade. Criei respeito grande e acho que soube com humildade pesquisando e entendendo como é que funciona. Isso aqui é a vida de muitas pessoas. Me sinto honrada e grata pela oportunidade, pelo espaço que a comunidade me dá de estar aqui".
Gabi Martins contou como superou o cancelamento inicial. "No primeiro ano fui muito cancelada por não saber sambar, virei meme e isso me fez mal. Porém, me deu força também para não desistir, correr atrás e provar para mim mesma que era capaz. Eu fui melhorando, fazendo mais aulas, estudando e hoje não tenho mais medo dos haters".
Geisa Eloy falou sobre sua evolução. "É meu terceiro ano na Tijuca e isso me trouxe confiança a mais, porque, no início, é tudo mais difícil. Fui julgada, mas senti que eu evoluí. Ensaio, corro atrás, não deixo nada parado e quero sempre melhorar. As pessoas julgam, mas nunca vai conseguir ser perfeita. É preciso saber superar e esquecer esses comentários".
Essas declarações mostram que, apesar das críticas, as musas do Carnaval buscam equilibrar a dedicação à tradição com a aceitação de suas próprias limitações, muitas vezes usando o feedback para evoluir e fortalecer sua presença na festa mais popular do Brasil.