Beija-Flor busca bicampeonato no Carnaval com enredo sobre candomblé e resistência negra
Beija-Flor busca bicampeonato com enredo sobre candomblé

Beija-Flor almeja bicampeonato no Carnaval com homenagem ao candomblé e à resistência cultural

Após conquistar o título do Carnaval carioca em 2025, a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis entra na Passarela do Samba nesta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, com o enredo "Bembé", uma celebração vibrante da cultura afro-brasileira. O tema centraliza-se no Bembé do Mercado, reconhecido como a festa de candomblé de rua mais antiga e significativa de Santo Amaro, localizada no Recôncavo Baiano, destacando valores de resistência, fé e tradição ancestral.

Uma história de libertação e ancestralidade

O enredo da Beija-Flor não apenas evoca a festividade, mas também resgata uma narrativa profunda de emancipação. A comemoração do Bembé teve início em 1889, exatamente um ano após a promulgação da Lei Áurea, servindo como um ato simbólico de visibilidade e afirmação da história da população negra no Brasil. "Deixa girar, que a rua virou Bembé/ O meu Egbé faz valer o seu lugar", entoa um trecho do samba-enredo, que enfatiza a liberdade conquistada além dos documentos oficiais.

João Vitor Araújo, carnavalesco da agremiação, explica que a preparação seguiu rigorosamente o planejado, com o objetivo claro de buscar o bicampeonato. "A gente está trazendo essa história linda que acontece há 136 anos, em Santo Amaro da Purificação, uma festa que celebra a libertação, mas não a libertação feita pela princesa. A libertação do sagrado", afirmou ele em entrevista. Araújo destaca que, quando João de Obá reuniu seu povo para realizar o candomblé em espaço público, estava promovendo um protesto contra direitos que sabia não seriam concedidos, reforçando o caráter de resistência do evento.

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Mudanças na liderança e continuidade na tradição

Este ano marca uma transição significativa para a Beija-Flor, pois é o primeiro desfile sem Neguinho da Beija-Flor, intérprete histórico da escola por mais de cinco décadas. Para escolher um sucessor à altura, a agremiação realizou um reality show, resultando na seleção de Jéssica Martin e Nino como os novos intérpretes. Essa mudança simboliza uma renovação na voz da escola, mantendo o compromisso com a excelência artística.

Além disso, Lorena Raissa continua no papel de rainha de bateria, assegurando uma presença familiar e carismática no comando da percussão da azul e branco. A escola busca equilibrar inovação e tradição, com o enredo "Bembé" servindo como um tributo à ancestralidade e à luta contínua por reconhecimento e igualdade.

Impacto cultural e social do desfile

O desfile da Beija-Flor não é apenas um espetáculo visual e musical, mas também um ato político e educativo. Ao celebrar o Bembé, que reúne mais de 60 terreiros de candomblé todo 13 de maio, a escola amplia a visibilidade das religiões de matriz africana e sua importância na formação cultural brasileira. O samba-enredo, com versos como "Não me peça pra calar minha verdade/ Pois a nossa liberdade não depende de papel", ecoa um chamado à conscientização sobre as desigualdades raciais e sociais persistentes.

Com uma produção cuidadosa e um enredo rico em simbolismo, a Beija-Flor posiciona-se não apenas como candidata ao título carnavalesco, mas como uma voz poderosa na promoção da diversidade e da memória coletiva. O desfile promete ser um momento emocionante, unindo arte, história e resistência em uma apresentação que honra as raízes afro-brasileiras e inspira reflexões sobre liberdade e identidade.

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