Prefeitura de Araçatuba determina desocupação de centro cultural após evento na Sexta-feira Santa
A Prefeitura de Araçatuba, no interior de São Paulo, emitiu uma notificação formal exigindo que o Centro Cultural Associata desocupe o prédio público que ocupa há anos. A medida ocorre após uma festa polêmica realizada no local durante a Sexta-feira Santa, dia 3 de abril, que gerou intensa controvérsia na comunidade.
Evento com imagens cristãs gera revolta e ação municipal
O evento em questão, organizado pelo Coletivo Artístico Sangria, contou com música eletrônica e artes visuais. A polêmica surgiu devido à utilização de imagens associadas ao cristianismo no material de divulgação, o que foi considerado ofensivo por parte da população e das autoridades locais. A festa aconteceu em um espaço cedido pela Associação dos Artistas Teatrais da região de Araçatuba (Associata), entidade que administra o centro cultural desde sua fundação em 2008.
Conforme apurado pela TV TEM, o Centro Cultural Associata é um importante polo cultural da região, recebendo mensalmente mais de 250 pessoas em diversas atividades como:
- Cursos profissionalizantes
- Oficinas artísticas
- Eventos comunitários
- Palestras educativas
Notificação formal e prazo para desocupação
Na segunda-feira, dia 6 de abril, a administração municipal emitiu um comunicado oficial anunciando a revogação do Termo de Permissão de Uso (TPU) do imóvel. O presidente da Associata já assinou a notificação, que estabelece um prazo de 90 dias para a completa desocupação do espaço. Caso a determinação não seja cumprida dentro deste período, a associação poderá enfrentar medidas judiciais de despejo.
O prefeito Lucas Zanatta (PL) se manifestou publicamente sobre o caso através de um vídeo, afirmando que as imagens utilizadas no evento "ferem a moral, os bons costumes e os valores de Araçatuba". A prefeitura ainda protocolou uma denúncia formal no Ministério Público local, solicitando investigação sobre os fatos ocorridos.
Defesas das partes envolvidas
Em resposta às acusações, a Associata emitiu uma nota esclarecendo que a responsabilidade pelos conteúdos artísticos apresentados é individual de cada artista ou produtor, especialmente no que se refere a possíveis violações legais. A associação destacou seu histórico de mais de 15 anos de trabalho cultural na região.
Já o Coletivo Artístico Sangria publicou uma explicação nas redes sociais, argumentando que as imagens foram retiradas de contexto. Segundo o comunicado, a programação do evento incluiu:
- Exibição de documentário cultural
- Apresentações de DJs locais
- Performances artísticas experimentais
- Instalações visuais interativas
- Trabalhos em vídeo e fotografia
O coletivo enfatizou que não houve qualquer intenção de desrespeito a crenças ou religiões, e que o evento tinha caráter estritamente cultural e artístico.
Ministério Público analisa o caso
A promotoria de Justiça de Araçatuba confirmou ter recebido a representação da prefeitura e informou que a administração municipal terá que prestar esclarecimentos detalhados sobre os fatos noticiados. O órgão ministerial agora analisará a legalidade das medidas tomadas pela prefeitura e o contexto completo do evento polêmico.
Este caso levanta importantes questões sobre:
- Os limites da liberdade artística em espaços públicos
- A gestão de equipamentos culturais municipais
- A relação entre expressão cultural e sensibilidade religiosa
- Os mecanismos de fiscalização de eventos em imóveis públicos
A situação permanece em aberto, com a Associata tendo até o início de julho para cumprir a determinação de desocupação, a menos que consiga reverter a decisão através de recursos administrativos ou judiciais.



