Wada pode investigar alegações de injeção peniana para vantagem no salto de esqui
Wada pode investigar injeções penianas em salto de esqui

Wada avalia investigar alegações de injeções penianas para vantagem no salto de esqui

A Agência Mundial Antidoping (Wada) declarou que pode abrir uma investigação formal caso surjam evidências concretas sobre as alegações de que atletas do salto de esqui estariam injetando substâncias no pênis para obter vantagem esportiva. Em janeiro, o jornal alemão Bild publicou uma reportagem indicando que alguns saltadores estariam aplicando ácido hialurônico antes das medições para os trajes de competição.

Substância não proibida, mas com impacto potencial no desempenho

O ácido hialurônico, amplamente utilizado em procedimentos estéticos como preenchimentos, não está na lista de substâncias proibidas pela Wada. No entanto, especialistas explicam que ele pode aumentar a circunferência do pênis em um a dois centímetros, o que, teoricamente, ampliaria a área de superfície do traje usado pelos atletas. Segundo a Federação Internacional de Esqui (FIS), essa expansão poderia melhorar a aerodinâmica e, consequentemente, o voo durante os saltos.

"Cada centímetro extra em um traje conta. Se o seu traje tiver uma área de superfície 5% maior, você voa mais longe", afirmou Sandro Pertile, diretor de provas masculinas da FIS, destacando a importância dos detalhes técnicos nesse esporte de precisão.

Reações oficiais e negações da FIS

Durante uma entrevista nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026, que começaram nesta sexta-feira (6 de fevereiro) e vão até 22 de fevereiro, o diretor-geral da Wada, Olivier Niggli, afirmou não ter conhecimento detalhado do caso. "Não estou ciente dos detalhes do salto de esqui e de como isso poderia melhorar o desempenho. Se alguma coisa vier à tona, iremos investigar e ver se está relacionada a doping. Não abordamos outros meios [não proibidos] de melhorar a performance", explicou Niggli, mantendo uma postura cautelosa.

Em tom mais descontraído, o presidente da Wada, Witold Banka, brincou sobre a situação: "O salto de esqui é muito popular na Polônia, então prometo que vou analisar isso", demonstrando atenção ao tema, mas sem confirmar ações imediatas.

Por outro lado, a FIS, por meio de Bruno Sassi, negou veementemente a existência de indícios ou provas dessa prática. A entidade reforçou que os atletas são medidos com scanners 3D de alta precisão e usam apenas "roupa íntima elástica e justa ao corpo", seguindo regras rigorosas que permitem uma tolerância de 2 a 4 centímetros nas medições, incluindo a altura da virilha, com acréscimo de 3 centímetros para homens.

Riscos graves e alertas de especialistas

O ácido hialurônico, quando aplicado por profissionais qualificados, pode gerar um ganho de 1,5 a 2 centímetros na circunferência peniana, com efeitos durando até 18 meses, conforme explicou o especialista Ubirajara Barroso Jr.. Outro profissional, Flávio Rezende, detalhou que "34 ml podem gerar 1 cm de ganho" e que, atualmente, é possível alcançar "3 ou 4 cm de ganho, dependendo do conhecimento técnico do profissional e da estética, para que a intervenção não fique perceptível".

No entanto, médicos alertam para os perigos significativos associados à autoaplicação, prática que tem sido observada em alguns casos. Fernando Facio, especialista em urologia, enfatizou: "A gente vê casos de autoaplicação, como se fosse a mesma coisa que passar um creme no rosto. O pênis é um órgão único, cheio de vasos sanguíneos, nervos e outras estruturas, com funções sexuais e urinárias". Ele explicou que, se aplicado incorretamente, o procedimento pode não surtir efeito e, em situações graves, levar a necrose ou embolia, com risco à vida do indivíduo.

Contexto histórico e participação brasileira

O texto relembra tentativas anteriores de manipulação no esporte, como o caso de agosto, quando os atletas Marius Lindvik e Johann Andre Forfang foram suspensos por três meses após adulteração de trajes no Mundial de Trondheim, embora posteriormente se tenha concluído que eles não tinham conhecimento da situação.

Nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, a estreia do salto de esqui está marcada para 9 de fevereiro. O Brasil participa do evento desde 1992 e, nesta edição, contará com 15 atletas em cinco esportes diferentes, sendo 11 deles nascidos no país. Atletas como Lucas Pinheiro, Pat Burgener, Augustinho Teixeira e Giovanni Ongaro, embora nascidos no exterior, representam o Brasil, demonstrando a diversidade e o crescimento da delegação nacional em competições internacionais de inverno.