Vinicius Junior analisa momento da seleção brasileira antes de amistosos
SÃO PAULO, SP - O atacante Vinicius Junior, principal nome da seleção brasileira atualmente, fez uma avaliação franca sobre o momento da equipe nacional em entrevista coletiva realizada nos Estados Unidos nesta quarta-feira (25). O jogador reconheceu que o Brasil não chega como uma das favoritas para a disputa da Copa do Mundo após uma campanha abaixo do esperado nas Eliminatórias Sul-Americanas.
Campanha histórica ruim nas Eliminatórias
A seleção brasileira encerrou as Eliminatórias na quinta posição da tabela de classificação, o que representa a pior colocação desde a adoção do formato atual do torneio. O desempenho registrou apenas oito vitórias, quatro empates e seis derrotas ao longo da competição, números que deixaram claro a necessidade de recuperação da equipe.
"Acredito que não é a favorita pelos resultados que tivemos na Eliminatória, mas o peso da camisa, dos jogadores que temos aqui, muitos que atuam nas melhores equipes do mundo, onde todos têm o seu protagonismo", afirmou Vinicius Junior durante a entrevista.
Confiança no trabalho de Ancelotti
O atacante do Real Madrid destacou a importância da chegada do técnico Carlo Ancelotti ao comando da seleção brasileira em maio de 2025. Segundo o jogador, o treinador italiano tem trazido mais clareza tática para a equipe.
"Só faltava encaixar, e depois que o Ancelotti chegou, claro que temos uma ideia melhor de jogo", explicou Vinicius. "Ele tira muito da responsabilidade de nós jogadores e isso é muito importante. Um treinador que entende o time que tem, que entende a forma que o time tem que jogar."
O jogador carioca de 25 anos acrescentou: "Não é porque temos tantos atacantes que o time não vai defender ou vai atacar melhor. Temos que ter uma ideia de jogo, trabalhar bem com os jogadores que a gente tem, e fazer de tudo para colocar o Brasil no topo."
Preparação para os amistosos
A seleção brasileira se prepara atualmente nos Estados Unidos para dois importantes amistosos: contra a França na quinta-feira (26) em Boston, e contra a Croácia no dia 31 em Orlando. Vinicius Junior afirmou que a equipe busca chegar à Copa do Mundo com a mesma tranquilidade demonstrada na preparação para esses jogos.
"A gente não quer o favoritismo, queremos chegar na Copa do Mundo como estamos chegando para esses amistosos, com muita tranquilidade, paciência, mas focados em tudo aquilo que a gente quer", declarou o atacante.
Bom momento no Real Madrid
Com números impressionantes na temporada 2025/26 pelo Real Madrid - 17 gols e 9 assistências em 43 partidas -, Vinicius Junior expressou o desejo de transferir esse bom desempenho para a seleção brasileira.
"Sempre tento estar na minha melhor fase, fazendo gols e dando assistências, porque assim fico mais tranquilo, mais feliz", afirmou. "E espero que tudo que faço pelo Real Madrid eu possa vir a fazer aqui na seleção brasileira, que é o meu maior objetivo, onde eu sempre sonhei estar. Quero dar muito orgulho para o nosso país e muita alegria para toda nossa nação."
Questão Neymar
Vinicius Junior também comentou sobre a pressão da opinião pública pela convocação de Neymar para a seleção brasileira. O atacante demonstrou naturalidade em relação às cobranças e elogiou o colega de profissão.
"A cobrança pelo Ney é normal. Sou um pouco suspeito para falar porque o Ney é um dos meus ídolos, acompanhei toda sua carreira", disse Vinicius. "É um dos meus amigos também, desejo sempre o melhor. Ele está fazendo de tudo para ficar 100% para nos ajudar, para voltar para a seleção."
O jogador completou: "É o maior artilheiro da maior seleção do mundo, onde ele fez grandes jogos, sempre teve bons momentos aqui. A decisão cabe ao treinador, mas nós jogadores sempre queremos jogar com os melhores, e o Ney é um dos melhores pra gente."
Posição de Ancelotti
Carlo Ancelotti, que atendeu os jornalistas antes da entrevista de Vinicius Junior, já havia sido questionado sobre a pressão pela convocação de Neymar. O técnico italiano afirmou que observa e escuta todas as opiniões, mas mantém a responsabilidade final pelas decisões.
"É normal que no futebol cada um possa opinar, porque não há uma unanimidade, não há uma ciência clara", disse Ancelotti. "No futebol podem opinar sobre muitas coisas, se joga bem, se não joga bem, se um jogador é bom, se não é. Cada um tem sua opinião e tenho que respeitar a opinião de todos."
O treinador, que ainda não chamou Neymar para a seleção desde que assumiu o comando em maio de 2025, tem reiterado que o atacante do Santos precisa aprimorar sua forma física para receber uma oportunidade com o grupo.
Teste importante contra a França
Ancelotti destacou que o duelo contra a França representa um "teste muito importante" para a seleção brasileira. A equipe francesa é uma das grandes seleções do momento, tendo sido vice-campeã na Copa do Mundo do Qatar-2022 e campeã na Rússia-2018.
"Nesses meses temos pensado em qual é o melhor modelo de jogo para a equipe, levando em conta as características dos jogadores", explicou o técnico. "Pensamos que o modelo que queremos implementar é com quatro jogadores no ataque e amanhã será a mesma coisa."
O italiano completou: "Queremos jogar uma boa partida, controlando o jogo e obviamente tentando fazer bem as duas coisas: defender bem, que é muito importante, com uma equipe que tem que ter muito equilíbrio, e jogar bem com a bola. Mostrar a qualidade que sobretudo os quatro na frente têm."



