Promessa do taekwondo brasileiro, Cauã Batista, de 18 anos, morre após atropelamento no Rio
Promessa do taekwondo brasileiro morre após atropelamento no Rio

Promessa do taekwondo brasileiro morre após atropelamento na Zona Sul do Rio

O jovem atleta Cauã Batista, de apenas 18 anos e considerado uma das grandes promessas do taekwondo brasileiro, faleceu no último dia 24 após uma semana internado no Hospital Miguel Couto, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A morte ocorreu em decorrência de um atropelamento sofrido em Botafogo, que mobilizou uma campanha de doação de sangue nas redes sociais durante seu período de internação.

Carreira promissora e dedicação inabalável ao esporte

Cauã Batista treinava na Soares Team Taekwondo e ocupava a segunda colocação do ranking sub-21 do estado do Rio de Janeiro. O lutador estava inscrito para participar da Seletiva Aberta Nacional, que começou na quarta-feira (25), e que seria sua primeira competição nesse nível. Em janeiro deste ano, ele teve a oportunidade de participar de um período de treinos com Diego Ribeiro, técnico da seleção brasileira de taekwondo.

"Teve um dia, após um treino mais puxado, que ele passou mal. Depois de recuperado, brinquei com ele e, a partir daí, pegamos um pouco mais de intimidade. Foram alguns dias, mas vi que era um menino muito bom, educado, talentoso no taekwondo. Se destacou nos treinos", relatou Diego Ribeiro ao UOL.

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O técnico ainda complementou: "Durante esse período na clínica, se mostrou talentoso. Tinha um potencial muito grande, disciplinado, educado... Tinha os princípios que a arte marcial preza. Foi uma grande perda para o taekwondo, era uma promessa no esporte".

Homenagens emocionadas e legado além dos tatames

A morte do jovem atleta gerou notas de pesar de diversas entidades esportivas, incluindo a Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD), o Ministério do Esporte e a La Unión Panamericana de Taekwondo. Atletas de destaque da modalidade, como Netinho, Milena Titoneli, Paulo Ricardo, Sarah Alicia e Sandy Macedo, também se manifestaram através de comentários em postagens nas redes sociais.

Nas homenagens dos amigos, uma música se fez presente de forma recorrente: "o show tem que continuar", favorita de Cauã, tocada tanto na versão do Fundo de Quintal quanto na voz de Arlindo Cruz. Além do esporte, o jovem havia celebrado recentemente uma conquista acadêmica importante: a aprovação no curso de Engenharia Ambiental da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Início no taekwondo marcado por persistência e paixão

Luan Dias, técnico de Cauã, conta que o atleta começou no taekwondo aos oito anos após insistir repetidamente para entrar nas aulas. "Foi meu primeiro aluno infantil. Neguei ele muitas vezes, porque na turma só tinha adulto e graduado. Como eu ia inserir uma criança em um contexto desses, e faixa branca? Se acontecesse algo, eu seria o responsável, e eu estava começando minha caminhada de professor. Até que, depois de muita insistência, deixei", relembra Dias.

O técnico descreve Cauã como um "autodidata nato" que "aprendia as coisas sozinho, vendo vídeo, e aplicava na aula". Segundo Luan, o jovem tinha uma intensidade incomum: "Esse cara amava a vida como nunca vi ninguém amar. Era intenso em tudo que se propunha a fazer. A intensidade era a maior virtude dele, mas também era o que mais atrapalhava em campeonatos, porque queria sempre fazer coisas mirabolantes".

Dedicação exemplar e liderança na equipe

A paixão de Cauã pelo taekwondo era evidente em sua rotina de treinos. Luan Dias destaca que o atleta comparecia a todos os compromissos, independentemente da data: "Se eu marcasse treino no Natal, ele estava lá. Sempre pontual e, às vezes, o único a ir. Comia tatame. Ajudava do mais velho ao mais novo, do faixa branca ao faixa preta. Ficava uma hora explicando porque amava compartilhar conhecimento".

Com o tempo, Cauã se tornou o capitão da equipe de luta da Soares Team. Seu técnico ressalta a persistência do jovem: "Foram 10 anos sem ganhar alguma coisa. Poderia ter largado, mas a paixão pela arte marcial falou muito alto. 'Caramba, o moleque não desiste'. Não era o atleta mais famoso do Rio e nem do Brasil, mas era conhecido por todos do meio pela sua persistência, insistência e respeito pela arte marcial".

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A trajetória de Cauã Batista deixa um legado de dedicação, paixão pelo esporte e superação que será lembrado por todos que tiveram o privilégio de conviver com o jovem atleta.