Pai de Gerson denuncia ataques no Maracanã e aponta racismo e inveja
Pai de Gerson denuncia ataques no Maracanã e aponta racismo

Pai de Gerson denuncia ataques no Maracanã e aponta racismo e inveja como motivações

Marcão, pai e empresário do jogador Gerson, atualmente no Cruzeiro, se pronunciou publicamente após ser hostilizado nas arquibancadas do Maracanã durante o jogo entre Flamengo e Cruzeiro, realizado na última quarta-feira, 11 de março de 2026. O episódio marcou o primeiro reencontro do atleta com seu ex-clube, gerando tensões que culminaram em agressões verbais direcionadas a seu pai.

Identificado por torcedores do Flamengo em um setor da torcida rubro-negra, Marcão foi alvo de xingamentos e precisou deixar o local antes do intervalo, sendo escoltado até o camarote onde estava a diretoria do Cruzeiro. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele expressou sua indignação e gratidão aos que se solidarizaram.

Declarações emocionadas e acusações graves

"Tô passando aqui para agradecer a todos, de coração, que se solidarizaram comigo ontem, com o acontecimento dentro do Maracanã", iniciou Marcão. "É impressionante. Aquelas pessoas que fizeram aquilo comigo não são torcedores do Flamengo, porque eles deixaram de assistir ao jogo, deixaram de comemorar a vitória do seu time para querer me xingar, me hostilizar, fazer tudo de ruim comigo".

Ele continuou, atribuindo as hostilidades a fatores pessoais e profissionais: "O problema é simples. Eles não estão ali reclamando pelo que eu fiz ou deixei de fazer. Estão reclamando por quem sou eu e pelo meu trabalho". Além disso, Marcão fez uma grave acusação de racismo, afirmando: "Dizer a vocês que infelizmente pessoas não aceitam o lugar que um negro está. Eles não aceitam isso. Eles ficam chateados com isso".

Apesar do ocorrido, o empresário garantiu que está bem e pronto para trabalhar, mas deixou em aberto a possibilidade de tomar medidas legais: "Vamos agora ver daqui para frente como vamos agir sobre o acontecimento de ontem".

Contexto da saída conturbada de Gerson do Flamengo

A revolta de parte da torcida do Flamengo tem raízes na saída conturbada de Gerson do clube. Cria da base do Fluminense, o jogador teve passagens pela Roma e Fiorentina na Itália antes de ser comprado pelo Flamengo em 2019, onde foi fundamental em conquistas como a Libertadores e a Recopa.

Vendido ao Olympique de Marselha em 2021, Gerson não se destacou na França e retornou ao Flamengo em 2023. No entanto, a insatisfação da torcida aumentou quando ele optou por deixar o clube para assinar com o Zenit, da Rússia, por um salário três vezes maior, mesmo tendo titularidade garantida e sendo convocado para a seleção brasileira.

Na despedida para a Copa do Mundo de Clubes, Gerson já havia sido hostilizado e chamado de "Judas" por alguns torcedores. Sua passagem pelo Zenit foi breve e sem sucesso, levando-o a retornar ao Brasil em janeiro deste ano como a maior compra do futebol nacional na época, ultrapassada semanas depois pela aquisição de Lucas Paquetá pelo Flamengo, para vestir a camisa do Cruzeiro por R$ 168,8 milhões.

Este episódio no Maracanã reflete as tensões persistentes no futebol brasileiro, envolvendo rivalidades, questões raciais e a complexa relação entre jogadores, suas famílias e as torcidas.