Oscar Schmidt, maior ídolo do basquete brasileiro, morre aos 68 anos em São Paulo
Oscar Schmidt, ídolo do basquete brasileiro, morre aos 68 anos

Oscar Schmidt, maior ídolo do basquete brasileiro, morre aos 68 anos em São Paulo

O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt faleceu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, após passar mal. Ele foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), próximo de onde residia, em Alphaville. A causa específica da morte não foi divulgada oficialmente pelas autoridades ou pela família.

Família emite nota emocionada sobre o falecimento

Em comunicado, a família de Oscar lamentou profundamente a perda e destacou sua trajetória extraordinária. "É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo", afirmou a nota. O texto ainda ressaltou que, ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência uma batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.

Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo. A despedida será realizada de forma reservada, restrita aos familiares e amigos próximos, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento. Os familiares agradecem todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas e solicitam compreensão quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto.

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Homenagem recente e estado de saúde

No dia 8 de abril, Oscar foi um dos homenageados pelo Comitê Olímpico do Brasil na cerimônia do Hall da Fama, realizada no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Segundo informações do jornal "O Globo", o ídolo não pôde comparecer ao evento porque estava em processo de recuperação de uma cirurgia. Ele foi representado por seu filho, Felipe Schmidt, que expressou a honra da família com a homenagem. "A gente está honradíssimo de estar aqui nesse momento, porque a gente sabe de tudo o que o meu pai se dedicou ao basquete, principalmente à seleção brasileira e ao COB", declarou Felipe.

Em 2011, Oscar foi diagnosticado com câncer no cérebro. Ao longo dos anos, passou por diversas cirurgias, mas a doença persistiu. Em 2022, ele afirmou publicamente que havia interrompido por conta própria o tratamento de quimioterapia, gerando repercussão. Posteriormente, esclareceu a situação e anunciou que estava curado, embora continuasse enfrentando desafios de saúde.

Trajetória e conquistas do "Mão Santa"

Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em 16 de fevereiro de 1958, em Natal, no Rio Grande do Norte, e é amplamente reconhecido como um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Conhecido carinhosamente como "Mão Santa" e eterno camisa 14 da seleção brasileira, ele foi um dos principais responsáveis por popularizar o basquete no país.

Em cinco participações olímpicas consecutivas – Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996 – Oscar marcou impressionantes 1.093 pontos, tornando-se o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos. Suas conquistas incluem:

  • Integrante do Hall da Fama da Federação Internacional de Basquete (Fiba) e do Hall da Fama da NBA, mesmo sem nunca ter atuado oficialmente na liga americana.
  • Maior pontuador da seleção brasileira, com 7.693 pontos, e único jogador a ultrapassar 1.000 pontos em Olimpíadas.
  • Vencedor de três Sul-Americanos, duas Copas América e um Pan-Americano pela seleção brasileira.
  • Recordista em clubes, com oito títulos nacionais como jogador amador e profissional.

Carreira internacional e recusas à NBA

Inicialmente, Oscar sonhava em ser jogador de futebol, mas devido à sua altura, migrou para o basquete. Sua carreira profissional decolou após chamar a atenção do técnico Cláudio Mortari, que o levou para o Sírio, onde conquistou o Mundial de Clubes de Basquete em 1979. Na década de 1980, transferiu-se para o JuveCaserta, da Itália, permanecendo por 11 temporadas na liga italiana, considerada na época a segunda mais forte do mundo, atrás apenas da NBA.

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Oscar teve duas oportunidades concretas de jogar na NBA. A primeira foi em 1984, quando foi draftado pelo New Jersey Nets, mas recusou o contrato para continuar defendendo a seleção brasileira, devido às regras da FIBA que impediam jogadores da liga americana de atuarem em seleções nacionais. Em 1992, já com quase 35 anos, recebeu novos convites, mas optou por recusar novamente, priorizando sua carreira no Brasil e na Europa.

Legado e curiosidades pessoais

Ao longo de sua carreira, Oscar Schmidt somou 49.737 pontos, sendo por muitos anos o maior pontuador da história do basquete, até ser superado por LeBron James em 2024. Sua dedicação ao esporte foi marcada por uma rotina intensa de treinos, que contribuiu para seus recordes históricos.

Além de suas conquistas esportivas, Oscar era irmão do apresentador Tadeu Schmidt e tio de Bruno Schmidt, fortalecendo seus laços familiares no cenário público. Sua carreira foi retratada em obras publicadas na Europa e ele foi incluído na lista dos 100 maiores jogadores de basquete de todos os tempos em livro organizado por Alex Sachare.

O legado de Oscar Schmidt permanece vivo na memória coletiva e na história do esporte brasileiro, inspirando futuras gerações de atletas e fãs. Sua morte deixa uma lacuna no basquete nacional, mas sua contribuição ao esporte será eternamente lembrada e celebrada.