Messi na Casa Branca com Trump divide argentinos e gera polêmica política
Messi com Trump na Casa Branca divide argentinos e gera polêmica

Encontro histórico na Casa Branca gera onda de debates na Argentina

Nesta sexta-feira (6), era praticamente impossível ligar a televisão local ou acessar perfis de redes sociais de argentinos sem encontrar a imagem de Lionel Messi ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. O evento, ocorrido na quinta-feira (5), desencadeou uma série de discussões acaloradas em todo o país, dividindo opiniões entre torcedores, jornalistas e figuras políticas.

A visita do Inter Miami e o discurso de Trump

Os jogadores do Inter Miami CF, liderados pelo ídolo argentino, visitaram o republicano um dia após conquistarem o título da Major League Soccer (MLS). Durante o encontro, posaram para fotos e ouviram um discurso do presidente americano, que iniciou com uma brincadeira sobre seu filho conhecer Messi. "Meu filho me disse: 'Pai, você sabe quem vem hoje?' Eu disse: 'Não, não sei, ando muito ocupado.' Ele disse: 'Messi!'", contou Trump, em um evento que foi precedido por uma atualização sobre operações na guerra no Irã.

Divisão de opiniões entre os argentinos

Nas redes sociais e na imprensa, os argentinos se dividiram profundamente sobre a participação do craque no encontro com Trump. Uma parte dos torcedores enxergou o gesto como algo prático e estratégico, utilizando a situação para favorecer a seleção argentina na próxima Copa do Mundo, que será sediada nos Estados Unidos, Canadá e México. No entanto, outra parcela expressou decepção, raiva e rejeição, especialmente em um contexto de tensão global devido à guerra no Oriente Médio. Muitos destacaram que Messi costuma se blindar de eventos públicos, principalmente aqueles comandados por políticos, o que tornou a visita ainda mais surpreendente.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Comparações com o passado e comportamento reservado

Os argentinos relembraram que a equipe campeã do Mundial de 2022 não compareceu à Casa Rosada, evitando politizar a conquista e se distanciar do então presidente, o impopular Alberto Fernández. Durante a cerimônia na Casa Branca, Messi demonstrou seu habitual comportamento tímido e reservado. Ao subir ao palco com Trump e o cartola Jorge Mas, o capitão argentino mostrou sinais de desconforto, preferindo ficar próximo de seus companheiros de equipe e evitando o centro das atenções, onde o presidente americano estava.

Repercussão política na Argentina

A divisão sobre a visita de Messi, na qual Trump também elogiou a beleza de Rodrigo De Paul, companheiro do Inter Miami e da seleção, rapidamente alcançou a esfera política argentina. O presidente Javier Milei, aliado incondicional de Trump, defendeu publicamente a participação do craque no evento. "Foi isso que eu disse sobre Messi em 2018, enquanto o jornalismo o mimava e algumas pessoas imprudentes diziam que ele tinha medo de vencer", escreveu Milei ao repostar uma mensagem em que afirmava não haver outro jogador comparável ao argentino.

Do lado da oposição, a jornalista e militante peronista Ángela Lerena considerou a cena na Casa Branca "horrível" em uma publicação no X. Já o cronista esportivo Flavio Azzaro sugeriu que o campeão poderia ter inventado uma desculpa para não comparecer. "Messi poderia dizer: 'Meu bebê está com febre e eu não vou'", escreveu ele, refletindo a insatisfação de parte do público.

Mudança de tema e desconforto visível

Embora o evento na Casa Branca fosse oficialmente sobre futebol, Trump aproveitou para desviar do tema e mencionar assuntos políticos, como a guerra no Irã e as situações na Venezuela e em Cuba. Quando o presidente americano citou os dois países latinos, a expressão de Messi mudou visivelmente: ele olhou para baixo, demonstrando desconforto, e não se juntou aos aplausos que se seguiram, reforçando sua postura cautelosa em meio a discussões políticas.

O encontro, portanto, transcendeu o âmbito esportivo, tornando-se um episódio emblemático que misturou futebol, política e opinião pública, deixando marcas profundas no debate nacional argentino e destacando os desafios enfrentados por ídolos globais em cenários polarizados.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar