Torcida Mancha Alviverde assume responsabilidade civil por emboscada fatal contra torcedores cruzeirenses
A torcida organizada Mancha Alviverde formalizou sua responsabilidade civil pelos danos causados no episódio da emboscada contra torcedores cruzeirenses em 2024, conforme Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) homologado pelo conselho superior do Ministério Público de São Paulo no dia 10 de fevereiro e divulgado nesta terça-feira (3). O acordo foi intermediado pela promotoria de Justiça de Mairiporã, município onde ocorreu o incidente, e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Detalhes do ataque e consequências trágicas
O episódio, que ocorreu no dia 27 de outubro de 2024 no km 65 da rodovia Fernão Dias, na região de Mairiporã, no estado de São Paulo, resultou na morte do torcedor José Victor Miranda e deixou outras 20 pessoas feridas. Segundo a acusação, o ataque envolveu mais de cem torcedores da organizada em seu planejamento, evidenciando uma ação coordenada e violenta.
Cláusulas do acordo e medidas de controle
No acordo formalizado a partir do relatório do procurador Nelson Gonzaga, a torcida organizada se comprometeu a pagar uma indenização mínima de R$ 2 milhões, sendo metade desse valor destinado à vítima José Victor Miranda. Além disso, o TAC inclui outras cláusulas importantes:
- Envío semestral da listagem de todos os associados à FPF (Federação Paulista de Futebol) e à promotoria de Mairiporã.
- Suspensão preventiva de membros indiciados ou denunciados por violência, com possibilidade de exclusão definitiva em casos de crimes graves ou infrações reincidentes.
O Ministério Público afirma que o descumprimento das cláusulas ou a repetição de ataques planejados resultarão na suspensão imediata do acesso a estádios da organizada e poderá resultar na extinção definitiva da agremiação.
Processos criminais em andamento
No âmbito criminal, até agora foram denunciados 43 torcedores, alguns sendo da antiga cúpula da torcida organizada. Todos são acusados de homicídio consumado, tentativa de homicídio qualificado e outros crimes. Dentre os acusados está Jorge Luiz Sampaio Santos, ex-presidente da torcida, que segue em prisão preventiva.
Este caso destaca a gravidade da violência no futebol e os esforços das autoridades para responsabilizar tanto indivíduos quanto organizações envolvidas em tais atos, visando promover maior segurança e justiça nos eventos esportivos.



