Fernando Diniz assume o comando do Corinthians e promete canalizar a 'loucura' em vitórias
Em um vídeo de apresentação produzido pelo clube, o novo técnico do Corinthians, Fernando Diniz, declarou: "Aqui, a loucura transcende o jogo". O treinador, que claramente lia um texto previamente elaborado, afirmou: "Meu coração já pulsa no ritmo da Fiel". As imagens exibidas mostravam torcedores alvinegros, frequentemente chamados de "bando de loucos". No final da gravação, um Diniz mais espontâneo surge, livrando-se do microfone e brincando: "Agora, vai começar a loucura. Vai, Corinthians!".
Comportamento explosivo e proposta tática
Criticado por seu comportamento explosivo à beira do campo, com olhos esbugalhados e xingamentos aos jogadores, o treinador de 52 anos espera que essa característica seja uma porta de entrada para o coração da torcida. Sua proposta de jogo é habitualmente tratada como insana e quixotesca, porém o componente tático – um futebol de aproximação e troca de passes que parece apropriado para as principais peças do atual elenco – tem sido muito menos explorado do que o "sangue no olho" cobrado pela arquibancada.
"Vivo o futebol de uma maneira intensa", afirmou Diniz em sua cerimônia de apresentação na última terça-feira (7). "As pessoas acham que a parte tática tem uma prevalência para mim. Nunca vai ter. Não existe domínio tático que consiga superar a falta de ânimo, de vontade".
Protestos da torcida e estreia vitoriosa
Enquanto Diniz falava, torcedores protestavam na porta do centro de treinamento, pedindo vontade. O time estava em uma sequência de nove partidas sem vitória – que levaram à demissão do técnico Dorival Júnior –, e os jogadores passaram a ter seus carros parados, com cobranças agressivas: "Você está achando que somos otários?". Questionado sobre a manifestação, o técnico a chamou de "supernormal".
Dois dias depois, em sua estreia na edição 2026 da Copa Libertadores, a equipe derrotou o Platense por 2 a 0, em Vicente López, na Argentina, interrompendo um período de quase dois meses sem vitória. O resultado representou um alívio, mas não foi esse o triunfo exigido nos protestos. "Se perder no domingo vocês estão f...", bradaram os torcedores, referindo-se ao clássico contra o Palmeiras.
Preparação para o clássico e conexão com a torcida
"Eu sei a importância que tem um Derby", afirmou Diniz. "É o maior clássico para o Corinthians, um jogo tradicional. É um jogo que a gente vai encarar como um jogo tem que ser encarado quando jogam Corinthians e Palmeiras". O embate será na zona leste paulistana, aonde chegou o menino Fernando, aos nove meses. Nascido em Patos de Minas, o mineiro fincou raízes perto da sede alvinegra, que fica no Parque São Jorge.
Quando Dorival foi demissão e chegou a mensagem do presidente Osmar Stabile, Diniz estava pronto para ir ao clube e assinar seu contrato. "Moro na zona leste, você sabe o tanto de corinthiano que tem aqui. Esse torcedor importa muito, o torcedor de estádio...", afirmou, minimizando a ruidosa parcela da torcida que reprovou sua contratação em redes sociais e enquetes online.
Experiência passada e desafio atual
"Todo o mundo no futebol achou que isto fosse acontecer, pensa que eu tenho uma combinação com o Corinthians. Eu também acho que combino com isto aqui, pela minha maneira inquieta, pela coragem de fazer as coisas. Tem tudo para dar certo", apostou. Para isso, Diniz terá de canalizar o que chamou de "loucura" de maneira produtiva. Seus trabalhos nos últimos anos tiveram um alto muito alto – a conquista da Libertadores pelo Fluminense, em 2023 – e baixos bem baixos – a passagem pela seleção brasileira foi breve e péssima.
Na estreia pelo Corinthians, as câmeras e os microfones buscaram o técnico em momento de pausa para hidratação dos atletas. Ele foi enérgico nas orientações, porém se conteve em uma aparente ânsia para usar palavrões com o lateral direito Matheuzinho. Ainda que os olhos tenham se arregalado, o grito foi contido. E o time venceu.
"Eu estive perto de acertar com o Corinthians umas quatro ou cinco vezes, mas agradeço a Deus por não ter dado certo. Hoje, eu estou mais preparado para enfrentar este desafio. Acredito que os 17 anos da minha carreira tenham sido uma preparação para chegar a um clube deste tamanho", concluiu o técnico.



