Eliminação na Libertadores escancara crise estrutural do Botafogo
A eliminação do Botafogo diante do Barcelona-EQU, ainda na fase preliminar da Libertadores, não é apenas um revés esportivo. Ela funciona como um espelho que reflete problemas profundos que vão muito além do campo, atingindo o cerne da gestão administrativa da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) comandada por John Textor.
Mercado atrasado e reforços inacessíveis
A realidade para o time alvinegro, que só saiu do transfer ban (vedação a transferências) em 6 de fevereiro, foi a de lidar com um atraso considerável no mercado. Isso resultou na não contratação de reforços essenciais para a temporada e, de forma mais gritante, na ausência de um goleiro em quem a torcida deposite confiança. Nomes como Cristian Medina, a principal contratação, além de Edenílson e Ferraresi, estiveram presentes no Estádio Nilton Santos na noite do jogo decisivo. Contudo, assistiram de camarote, sem uniforme, porque não foram inscritos a tempo para a competição continental.
Perspectiva financeira preocupante e a lacuna no gol
A perspectiva para 2026 continua a gerar apreensão. A eliminação de uma competição que renderia receitas significativas aos cofres do clube ocorre em um contexto claro de contenção de despesas. Os reforços anunciados são mais modestos comparados à época de formação do elenco campeão em 2024. E um problema com impacto imediato persiste: nenhum dos contratados até o momento é um goleiro. A falha de Léo Linck no jogo de ida e o fato de Neto nem estar sendo relacionado resumem a crise na posição, que já custou as quartas de final do Campeonato Carioca contra o Flamengo.
Problemas administrativos e o estrangulamento financeiro
Na véspera do confronto, John Textor manifestou confiança, mas a disputa judicial pelo controle da Eagle, holding do empresário, traz à tona a falta de recursos. Textor perdeu o controle do antigo caixa único que facilitava a movimentação financeira (e de dívidas) entre Botafogo e Lyon. Apesar de alegações sobre valores milionários a repassar, o dinheiro não materializa, agravando a situação financeira. Foi desse cenário que surgiu o transfer ban, originado por uma dívida referente a Thiago Almada, aumentando as preocupações com outros compromissos pendentes.
Análise tática e o distanciamento do time de 2024
O jogo decisivo contra o Barcelona-EQU evidenciou o abismo entre o atual elenco e o time intenso e avassalador de 2024. Taticamente, a equipe mostrou-se estéril em criação ofensiva, apesar da posse de bola. A solução recorrente foi o cruzamento na área. O técnico Martín Anselmi iniciou com três defensores e Matheus Martins como homem mais avançado, mudando o esquema aos 35 minutos, sem sucesso. Vitinho, lateral-direito, avaliou: "Acho que a gente toma o gol muito rápido no começo... os espaços ficam menores... e a gente não conseguiu criar chances claras de gol".
Novos desafios no horizonte
A realidade agora impõe a participação na Sul-Americana, vista com decepção inicial, mas que pode se tornar uma nova oportunidade de título. No curto prazo, o clube já tem um desafio imediato: um clássico pelo Brasileirão contra o Flamengo no próximo sábado. Enquanto isso, a diretoria e a SAF precisam enfrentar as questões estruturais que esta eliminação precoce tão claramente evidenciou.



