Entre seus turnos como médica especialista em lesões cerebrais e a rotina cuidando de dois filhos pequenos e do marido, a americana Sara Cohen, então com 30 e poucos anos, criou um hobby despretensioso: escrever histórias embebidas de mistérios, com personagens da área da saúde e ambientadas em cenários comuns, como casas de famílias. A fim de separar sua carreira do passatempo, e com medo do julgamento de pacientes e colegas, a nova-iorquina formada em Harvard usou o pseudônimo Freida McFadden ao lançar seu primeiro livro de forma independente, O Diabo Veste Jaleco — uma sátira da própria profissão. “Eu não buscava uma carreira como escritora, só estava me divertindo”, contou a autora de 45 anos a VEJA.
O sucesso de Freida McFadden
Passados treze anos de sua estreia e mais de vinte livros lançados, a autora virou best-seller: já vendeu 36 milhões de cópias no mundo, sendo 1 milhão desse montante no Brasil, marco alcançado recentemente com o sucesso de A Empregada. O thriller de 2022 foi adaptado para os cinemas no final do ano passado e arrecadou mais de 400 milhões de dólares de bilheteria mundial. Na trama, Millie, vivida por Sydney Sweeney, sai da prisão e consegue o emprego de doméstica na casa de uma família rica, comandada por uma patroa abusiva, papel de Amanda Seyfried. A relação envolve segredos sombrios e um desfecho sanguinário.
Vida dupla e novos lançamentos
Hoje, a medicina ficou em segundo plano diante do sucesso editorial: prolífica, a autora pretende publicar três livros só neste ano no Brasil. São eles: A Ex, Não Perturbe e The Surrogate Mother. Uma sequência baseada no segundo livro de A Empregada já está em andamento e será lançada em 2027 nos cinemas. As obras chegam por aqui pela editora Arqueiro, sendo que A Ex tem previsão de lançamento para o próximo mês. No enredo, uma jovem se apaixona e começa a ser perseguida por alguém contrário à relação — ela então suspeita da ex do namorado.
Thrillers domésticos: a receita do sucesso
De leitura simples e envolvente, os livros integram um subgênero do suspense chamado de thrillers domésticos, no qual crimes brutais acontecem em espaços aparentemente seguros, trazendo a inquietação de que qualquer pessoa em qualquer lugar pode ser uma ameaça em potencial. Essas tramas são banhadas de ganchos excessivos, mas intrigantes, em capítulos curtos e fáceis de ler. “Tento oferecer uma boa alternativa ao hábito de ficar rolando a tela sem parar nas redes sociais”, afirma a autora. É a receita de sucesso cirúrgico para os tempos atuais. Publicado em VEJA de 24 de abril de 2026, edição nº 2992.



