Nova temporada de 'Euphoria' estreia com tom de faroeste e críticas à vulgaridade
'Euphoria' retorna descaracterizada e mais vulgar, diz crítica

'Euphoria' retorna ao ar com nova temporada radicalmente diferente

A série Euphoria, uma das produções mais influentes dos últimos sete anos, retornou ao ar neste domingo com uma terceira temporada que marca uma transformação radical em seu tom e abordagem narrativa. A produção da HBO, que conquistou nove prêmios Emmy e catapultou vários de seus atores ao estrelato internacional, agora apresenta uma direção descaracterizada e elementos considerados mais vulgares do que nunca.

Do subúrbio adolescente ao faroeste do narcotráfico

A trama avança cinco anos após os eventos da temporada anterior, exibida em fevereiro de 2022. Rue, interpretada por Zendaya, não superou seus problemas com vícios e agora atua como mula de drogas entre Estados Unidos e México para pagar uma dívida antiga. Essa mudança de cenário transforma Euphoria de uma história sobre amadurecimento adolescente em um faroeste contemporâneo que explora formas de ganhar dinheiro nos Estados Unidos através de atividades ilícitas.

Enquanto Rue navega pelo perigoso universo do narcotráfico, outras personagens seguem caminhos igualmente conturbados. Cassie (Sydney Sweeney) planeja iniciar uma carreira na plataforma OnlyFans, conhecida pela comercialização de conteúdo adulto, motivada não por necessidade financeira, mas por desejo de atenção e luxo em seu casamento com Nate (Jacob Elordi). Este, por sua vez, tenta controlar as ambições da noiva enquanto assume os negócios imobiliários do pai.

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Personagens em transição para a vida adulta

O elenco principal enfrenta novos desafios profissionais e pessoais nesta fase adulta:

  • Lexi (Maude Apatow) tenta construir carreira como assistente de direção em Hollywood sob a tutela de uma figura poderosa interpretada por Sharon Stone
  • Maddy (Alexa Demie) trabalha com relações públicas, buscando estabilidade profissional
  • Jules (Hunter Schafer) aguarda o momento decisivo de sua carreira artística enquanto se sustenta através de um relacionamento com um homem mais velho

Perda do encanto original e aumento da vulgaridade

Os elementos centrais da série continuam sendo dinheiro, drogas, aparências e sexo, temas já presentes desde a primeira temporada. No entanto, a crítica aponta que os episódios originais eram permeados por uma certa magia visual e narrativa que transformava o subúrbio fictício em um universo próprio para seus jovens personagens.

Na nova temporada, esse encantamento parece ter desaparecido completamente. O escopo da série tornou-se difuso, com histórias que avançam mais por obrigação narrativa do que por decisões criativas orgânicas. Onde antes existia uma abordagem cuidadosa dos temas adolescentes, agora predomina uma vulgaridade pouco surpreendente, com cenas de nudez, escatologia e violência que carecem de profundidade emocional.

Críticas à direção e desenvolvimento dos personagens

O diretor e roteirista Sam Levinson parece buscar reações fortes do público através de elementos chocantes, mas falha em proporcionar a humanidade que marcou momentos altos da série, como o episódio pandêmico dedicado à terapia de Jules. As personagens agora se assemelham mais a arquétipos de gângsteres e prostitutas sob o sol californiano do que a jovens complexos em processo de descoberta.

A nova temporada tece observações rasas sobre narcotráfico, prostituição e o chamado sonho americano, reduzindo questões sociais complexas a pano de fundo para dramas superficiais. A crítica compara a experiência de assistir aos novos episódios com uma missão ruim do jogo GTA, onde a violência e a transgressão perdem significado por falta de contexto emocional adequado.

Com apenas 18 episódios lançados em sete anos, Euphoria continua sendo uma produção turbulenta dentro do catálogo da HBO, contrastando com séries longevas como Game of Thrones e Succession. A nova temporada levanta questões sobre o futuro criativo da série e sua capacidade de manter relevância sem perder a essência que conquistou milhões de fãs adolescentes ao redor do mundo.

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