Em 2019, nenhum documentário causou tanta repercussão quanto Deixando Neverland, produção da HBO na qual James Safechuck e Wade Robson, hoje adultos, acusaram Michael Jackson de pedofilia. Sete anos depois, enquanto a cinebiografia Michael vende milhões de ingressos ao redor do mundo, a obra de não ficção tornou-se impossível de encontrar por vias legais. Isso é resultado de um acordo firmado entre a emissora e o espólio do artista, a contragosto das supostas vítimas e do documentarista Dan Reed.
Detalhes do acordo
Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Reed detalhou o apagamento da produção. Segundo o cineasta, o espólio de Jackson recorreu a um contrato firmado entre o artista e a emissora em 1992, relacionado à filmagem de um show seu em Budapeste. Nele, uma cláusula antidifamação garantia que a empresa jamais diria “algo desagradável” sobre o Rei do Pop.
“De alguma forma, o espólio conseguiu chegar a um acordo amigável com a HBO, e isso fez com que Deixando Neverland saísse do streaming depois de seis anos na plataforma”, conta. A emissora tem os direitos sobre o documentário até 2029. A partir de então, Reed poderá vender a produção para outros serviços e garantir que ela seja disponibilizada novamente.
Sequência do documentário
Enquanto isso, ele trabalhou na sequência Leaving Neverland II: Surviving Michael Jackson (2025), que está disponível no YouTube. A decisão de remover o documentário gerou críticas de defensores das vítimas e de especialistas em liberdade de expressão.
O caso levanta questões sobre o poder de figuras públicas e seus espólios em controlar narrativas incômodas, mesmo quando há acusações graves. A HBO, por sua vez, não comentou oficialmente o acordo.
Para quem busca conteúdo cultural, acompanhe os blogs: Tela Plana para novidades da TV e do streaming, O Som e a Fúria sobre artistas e lançamentos musicais, Em Cartaz traz dicas de filmes no cinema e no streaming, e Livros para notícias sobre literatura e mercado editorial.



