Brasileiro brilha em Magic: The Gathering com arte tradicional sem IA
Brasileiro ilustra Magic com técnicas manuais sem IA

Ilustrador brasileiro se destaca em Magic: The Gathering com técnicas manuais

Em um cenário onde a inteligência artificial tem ganhado espaço na criação de imagens, a nova coleção do famoso jogo de cartas colecionáveis Magic: The Gathering optou por um caminho oposto. Lorwyn Eclipsed celebra a arte tradicional, com ilustrações feitas manualmente, sem o uso de IA. Entre os artistas selecionados mundialmente, está o brasileiro Caio Monteiro, que contribuiu com quatro cartas para esta edição especial.

Trajetória artística e paixão por fantasia

Caio Monteiro, formado em Belas Artes pela UFRJ, sempre teve uma paixão por temas de fantasia. "Desde moleque eu quis trabalhar com arte. Fazia ilustrações de temas de fantasia, sempre joguei RPG e Magic", relata o ilustrador. Inicialmente atuando na publicidade, sua carreira mudou radicalmente após um convite para ilustrar o RPG Crônicas, de Pedro Borges, que teve uma campanha de financiamento coletivo bem-sucedida.

Esse projeto abriu portas para trabalhos no RPG Pathfinder e, posteriormente, na Wizards of the Coast, empresa responsável por Magic: The Gathering. Monteiro começou a ilustrar cartas do jogo em 2018, consolidando sua posição no mercado de games de fantasia.

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Processo criativo detalhado e valorização do manual

Para a coleção Lorwyn Eclipsed, os ilustradores receberam um briefing detalhado, incluindo informações como nome da carta, cor, tipo, cenário e elementos visuais necessários. "Muitas vezes eles deixam bastante espaço para criarmos com liberdade", explica Monteiro. Além disso, um catálogo de referências visuais foi fornecido para orientar a criação.

O processo de Monteiro inicia com um rascunho digital, facilitando ajustes, seguido pela transferência para o papel e pintura em tela usando acrílico ou óleo. Ele também utiliza painéis de MDF para explorar texturas únicas. "É diferente, o material em si oferece outras possibilidades", destaca. Todo o ciclo, do briefing à versão final, dura cerca de 40 dias, incluindo revisões.

Retorno a um cenário clássico e homenagem ao talento humano

Lorwyn Eclipsed revive um cenário querido pelos jogadores, não explorado em novas cartas há quase duas décadas. O mundo é dividido entre períodos de claridade eterna e escuridão, habitado por fadas, elfos, gigantes e outros seres fantásticos. A escolha por técnicas tradicionais é uma homenagem às origens do jogo, valorizando o talento humano em detrimento de ferramentas automatizadas.

A Wizards of the Coast reforçou essa abordagem ao compartilhar o processo criativo dos artistas no Instagram, detalhando cada etapa. Isso não apenas promove a transparência, mas também ressalta a habilidade e dedicação envolvidas.

Presença brasileira no universo dos card games

Caio Monteiro não está sozinho na representação brasileira em Magic: The Gathering. Nesta coleção, a ilustradora Nathanna Érica assina artes variantes exclusivas como convidada. Outros brasileiros, como Will Murai e Viko Menezes, também têm contribuído para coleções anteriores, demonstrando a força da arte nacional nesse mercado global.

Além de Magic, Monteiro continua produzindo ilustrações para Dungeons & Dragons, outro RPG de fantasia sob a égide da Wizards of the Coast. Sua trajetória ilustra como a combinação de paixão, formação acadêmica e oportunidades estratégicas pode levar artistas brasileiros a conquistarem reconhecimento internacional em nichos especializados como os jogos de cartas e RPGs.

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