Ópera de Pequim estreia em Salvador com espetáculo chinês inédito
Ópera de Pequim estreia em Salvador com espetáculo inédito

A Companhia Nacional da Ópera de Pequim desembarca em Salvador pela primeira vez neste sábado (23) para apresentar o espetáculo 'A Lenda da Serpente Branca'. A apresentação ocorre na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), às 19h, como parte das comemorações do Ano Cultural Brasil-China 2026, período dedicado a fortalecer os laços entre os dois países.

Intercâmbio cultural e conexão com o público baiano

Wang Yong, presidente da companhia, destacou ao g1 que a peça serve como uma ponte para aproximar brasileiros e chineses. 'Apesar de nossas culturas serem muito diferentes, nossa busca pela verdade, bondade e beleza — além do sincero sentimento de superar obstáculos por amor — é o mesmo', afirmou.

O grupo chegou a Salvador na quarta-feira (21) com 45 artistas, ansiosos para interagir com a cultura local. Além de um workshop sobre as características da Ópera de Pequim, os artistas se encontraram com o bloco afro Ilê Aiyê na sexta-feira (22), promovendo uma troca artística inédita.

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Expectativas e legado cultural

Steffen Duaelsberg, diretor-executivo da Dellarte Produções, responsável pela vinda da companhia, ressaltou a importância de criar memórias e legados. 'No fundo, essas apresentações são um estopim. O que fica são esses legados de encontros e trocas de informação que a gente está querendo fazer de forma bastante contundente com a cultura baiana', disse.

A Lenda da Serpente Branca: uma história milenar

O espetáculo é baseado em uma das histórias mais tradicionais da China, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A trama acompanha Bai Suzhen, o espírito de uma serpente branca milenar que se transforma em mulher e se apaixona pelo estudante Xu Xian. O amor do casal enfrenta a desaprovação do monge Fahai, que vê a união como uma violação das leis naturais. 'Ela enfrenta provações de vida e morte quando sua verdadeira forma é revelada durante o Festival do Barco Dragão e quando o monge Fahai interfere. No final, o casal se reencontra na Ponte Quebrada, resolve seus mal-entendidos por meio do amor verdadeiro e reconstrói seu lar', explicou Wang Yong.

A lenda, que ganhou variações ao longo das dinastias, é repleta de simbolismos. Bai Suzhen é sempre representada de branco, conforme a versão da Dinastia Tang (618–907 d.C.), enquanto a Serpente Verde, Xiaoqing, veste azul-esverdeado. A história também inspirou adaptações cinematográficas e agora chega à Bahia, promovendo um encontro de culturas. 'Nem mesmo a imensidão do Oceano Pacífico pode impedir uma amizade sincera. A valorização e a compreensão das culturas uns dos outros certamente aprofundarão a amizade entre nossos povos', acrescentou o presidente da companhia.

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