Em março deste ano, o nome do banqueiro Daniel Vorcaro ganhou grande repercussão após o vazamento de mensagens íntimas, no contexto das investigações sobre fraudes financeiras no Banco Master. O conteúdo, que incluía o envio repetido de "Bom dia" para diferentes mulheres, rapidamente se espalhou pelas redes sociais e acabou ultrapassando o noticiário policial. A partir dessa repercussão, a dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano lançou a música Oi, Tudo Bem, inspirada nos trechos atribuídos ao banqueiro.
A faixa gerou uma série de controvérsias. Além das críticas ao tom machista e por normalizar a infidelidade, a canção chegou ao Judiciário: a Justiça de São Paulo proibiu a divulgação de um vídeo promocional que mostrava as conversas entre Vorcaro e Karolina Trainotti, uma das mulheres citadas no caso. No entanto, a polêmica envolvendo composições não se restringe à dupla. A coluna GENTE reuniu outras canções questionáveis que, seja pelo conteúdo das letras ou pela repercussão, também ficaram marcadas como exemplos de músicas que podem ficar fora da playlist.
Vidinha de Balada, Henrique e Juliano
Na letra, a dupla sertaneja fala sobre uma mulher que vai muito para festa e eles planejam acabar com essa rotina. Entretanto, o que era para soar romântico, acabou sendo tóxico. "Vai namorar comigo, sim! / Vai por mim, igual nós dois não tem / Se reclamar, cê vai casar também / Com comunhão de bens", cantam na canção.
Eu Que Sabotei, Mc Mr. Bim e Mc Gw
Funk é um estilo que costuma ser criticado por ter músicas com letras sexuais e que fazem referência a drogas, mas na letra de Mc Mr. Bim e Mc Gw, isso vai além. "Eu que sabotei o copo dessa piranha / Botei uma bala boa, uma bala que bate a onda". A ideia é clara: drogar uma mulher e abusá-la.
One In A Million, Guns N' Roses
Um dos principais clássicos da banda de rock é, na verdade, um compilado de preconceitos. Logo no começo, Axl canta a n-word, palavra em inglês racista utilizada por brancos. "Imigrantes e bichas / Não fazem sentido para mim / Eles vêm para nosso país / E acham que podem fazer o que quiserem / Como começar um mini Irã / Ou disseminar doenças horríveis", diz a letra. Em 2019, Duff McKagan afirmou que era um personagem preconceituoso e não refletia os pensamentos dos integrantes da banda. "Eu acho que é brilhante e muito corajoso do Axl fazer isso", apontou.
Me Abraça, Xande de Pilares e Ferrugem
A música tem versos islamofóbicos e foi tirada do ar após o Ministério Público do Estado de São Paulo acatar o pedido da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI). A organização pedia que apenas o trecho fosse mudado, mas após a decisão a canção desapareceu das plataformas de streaming. "Pra que bombardeio, pra que engatilhar / Aqui não é Irã, ou Islã, Bagdá / Foi só um mau tempo que ainda dá tempo / Desarma essa bomba em nome de Alá", dizia.
Me Lambe, Raimundos
A banda normaliza a pedofilia em um dos maiores sucessos do grupo. Em 1999, quando foi lançada, o público não ligava muito para isso, mas anos depois viram a problemática da letra. "O que que essa criança tá fazendo aí toda mocinha? / Vê, já sabe rebolar, e hoje em dia quem não sabe? / Se ela der mole, eu juro que eu não faço nada / Dá cadeia e é contra o costume / Mas se eu tiver na rua e ela de mão dada com outro cara / Eu morro de ciúme", cantam.



