O Bosque Zoológico Fábio Barreto, localizado em Ribeirão Preto (SP), ganhou um novo trio de atrações: as lontras Tudy, Joca e Jean Miguel. Os animais chegaram ao espaço na última semana após passarem por um período de reabilitação no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres Morro de São Bento (Cetras). Agora, eles integram a área de visitação do bosque, encantando o público com suas habilidades aquáticas.
Processo de adaptação e quarentena
De acordo com o biólogo Otávio de Almeida, responsável técnico pelo Cetras, todos os animais que chegam ao Bosque passam por uma quarentena rigorosa de, no mínimo, um mês. Esse período é essencial para avaliar a saúde e o comportamento dos novos integrantes. "Quando o animal chega ao plantel, é normal que se faça uma quarentena de pelo menos um mês para avaliar se não há nenhuma manifestação clínica, se apresenta bom score corporal e se o comportamento do animal é compatível com o cativeiro de fato", explicou o biólogo. Após essa avaliação, os animais passam pelo processo de pareamento, que consiste na habituação entre eles.
Origens diferentes, mesmo destino
Cada lontra do trio tem uma história única. Tudy nasceu no Zoológico do Rio de Janeiro, como parte de um programa de conservação de espécies, e foi criada pelos pais. Já Joca e Jean Miguel são órfãos que foram resgatados ainda filhotes e criados sob cuidados humanos, o que impossibilita o retorno deles à natureza. Agora, todos compartilham o mesmo habitat no bosque.
Visitação gratuita
A visitação às lontras é gratuita e ocorre de quarta a domingo, das 9h às 16h30. O Bosque Zoológico Fábio Barreto está aberto ao público nesses dias, oferecendo uma oportunidade única de observar de perto esses animais fascinantes.
Características da espécie
A lontra é um mamífero semiaquático da família Mustelidae, adaptado para viver em ambientes aquáticos e caçar peixes e crustáceos. Segundo Otávio, esses animais conseguem prender a respiração por longos períodos e têm grande agilidade na água, sendo considerados verdadeiros 'ginastas'. "É um mamífero, ele não respira debaixo d'água, só tem a capacidade de prender a respiração por um longo tempo. É um animal que praticamente faz uma ginástica artística na água, ele rodopia, dá cambalhotas, é ágil, tem um corpo esguio", destacou o biólogo. Ele também ressaltou que a lontra é nativa da fauna brasileira e ocorre em praticamente toda a região do país.
Alimentação e cuidados
As lontras são animais carnívoros, e a alimentação do trio no bosque é baseada em diferentes tipos de carne. "São animais que comem carne, então, aqui nós damos carne moída, patinho moído, peixe. Eles estão muito bem nutridos aqui no zoológico de Ribeirão", afirmou Otávio. Apesar da aparência dócil, as lontras são predadoras e possuem características físicas voltadas à caça, como o focinho alongado, chamado de rostro. "Se trata de um predador, então, ele tem esse focinho mais alongado, nós chamamos esse focinho de rostro. Ele é prolongado para frente, justamente, para caça e esfarelar, literalmente, pedaço de carne", alertou o biólogo.
Habitat e conservação
O habitat das lontras no Bosque Zoológico Fábio Barreto foi especialmente preparado para recebê-las, com áreas aquáticas e terrestres que simulam seu ambiente natural. A chegada do trio reforça o compromisso do bosque com a conservação da fauna silvestre e a educação ambiental.



