Artista plástica Teresinha Soares morre aos 99 anos em Belo Horizonte
A comunidade artística brasileira está de luto com a morte da artista plástica Teresinha Soares, que faleceu na madrugada da última terça-feira, 31 de dezembro, aos 99 anos de idade. O corpo da renomada artista foi cremado na tarde desta quinta-feira, 2 de janeiro, no Cemitério Parque Renascer, localizado em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A cerimônia de cremação ocorreu imediatamente após o velório realizado no Centro da capital mineira.
Internação e causa do falecimento
Teresinha Soares estava internada no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, onde permaneceu após sofrer uma fratura no fêmur. A artista, que completaria cem anos em breve, não resistiu às complicações decorrentes do acidente e veio a falecer na instituição de saúde.
Trajetória e contribuição para a arte brasileira
Nascida em Araxá, no Triângulo Mineiro, Teresinha Soares se consolidou como uma das figuras mais importantes da arte contemporânea não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. Reconhecida por seu pioneirismo, a artista desenvolveu obras marcadas por temáticas eróticas, psicodélicas e de forte crítica social, desafiando convenções e abrindo caminhos para discussões sobre gênero e liberdade sexual.
Sua formação artística começou na Universidade Mineira das Artes, em Belo Horizonte, no ano de 1965. No período seguinte, em 1966, ela se mudou para o Rio de Janeiro para estudar gravura em oficinas independentes organizadas pelo Museu de Arte Moderna (MAM). Foi durante as décadas de 1960 e 1970 que Teresinha Soares alcançou notoriedade no cenário artístico nacional e internacional.
Além de sua produção como artista plástica, Teresinha também atuou como escritora, vereadora, funcionária pública e professora, demonstrando uma versatilidade impressionante ao longo de sua vida. Seu legado inclui pinturas, esculturas e performances que continuam a inspirar novas gerações.
Reconhecimento institucional e homenagens
O Museu de Arte de São Paulo (MASP) emitiu uma nota oficial lamentando a perda e descrevendo Teresinha Soares como "uma das vozes mais potentes da arte brasileira e do feminismo". A instituição destacou que a artista foi uma das primeiras no país a abordar questões de gênero e a defender os direitos e a liberdade sexual das mulheres.
Em 2017, o MASP realizou a exposição "Quem tem medo de Teresinha Soares?", a primeira mostra panorâmica dedicada à artista em um museu brasileiro. Entre as obras apresentadas estava "Morra usando as legítimas alpargatas" (1968), uma peça doada por Teresinha ao acervo do museu que faz uma crítica irônica à Guerra do Vietnã, misturando imagens de violência com elementos de sexualidade e cultura de massa.
Influência na arte latino-americana
O Museu de Arte Latinoamericano (Malba), de Buenos Aires, reconheceu Teresinha Soares como uma artista chave da arte brasileira do pós-guerra, cuja obra deu "um contributo decisivo para a abstração latino-americana". Em 2025, o museu incorporou ao seu acervo a importante pintura "Deus Criou o Homem e..." (da série Acontecências), de 1967, que havia participado da exposição "Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, anos 60-70".
O Museu de Arte da Pampulha (MAP) também manifestou seu pesar pela morte da artista mineira, lembrando que sua relação com a instituição atravessa momentos significativos da história cultural de Belo Horizonte. Destacou-se a apresentação da obra "Corpo a corpo: in cor-pus meus" durante a abertura do II Salão Nacional de Arte Contemporânea da Prefeitura de Belo Horizonte, em dezembro de 1972, um marco em sua produção voltada para a participação, o corpo e a interação com o público.
A partida de Teresinha Soares deixa um vazio no cenário artístico, mas seu legado como pioneira, feminista e voz crítica permanecerá vivo através de suas obras e do impacto que causou na cultura brasileira e latino-americana.



