Milton Hatoum toma posse na ABL: primeiro amazonense na Academia Brasileira de Letras
Milton Hatoum toma posse na ABL

O escritor Milton Hatoum, três vezes vencedor do Prêmio Jabuti, tomou posse na cadeira 6 da Academia Brasileira de Letras (ABL) na sexta-feira, 24 de abril de 2026. A cerimônia foi realizada no Petit Trianon, sede da ABL, e contou com a presença de diversos acadêmicos. Hatoum sucede o jornalista Cícero Sandroni, falecido em junho de 2025.

Cerimônia de posse

Milton Hatoum foi recebido pela acadêmica Ana Maria Machado e recebeu o colar das acadêmicas Rosiska Darcy e Lilia Moritz Schwarcz. A espada foi entregue pelo decano José Sarney. A comissão de entrada foi formada pelos acadêmicos Antonio Carlos Secchin, Domício Proença Filho e Eduardo Giannetti, enquanto a comissão de saída incluiu Arno Wehling, Ana Maria Gonçalves e Gilberto Gil.

Primeiro amazonense na ABL

Hatoum é o primeiro membro amazonense da ABL. Em sua declaração após a eleição, em agosto de 2025, afirmou que pretende continuar seu trabalho de mais de 30 anos: falar sobre literatura e a importância da leitura para jovens, especialmente em escolas e universidades, além do público em geral. “Quero trazer a literatura para o cotidiano das pessoas. A ABL é uma instituição muito séria, com um valor simbólico muito forte. Foi fundada pelo maior escritor da América Latina no século XIX, Machado de Assis, um dos maiores escritores de língua portuguesa”, disse.

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Trajetória literária

Ao longo de sua carreira, Hatoum escreveu nove livros de ficção, incluindo os romances "Relato de um certo Oriente", "Dois irmãos" e "Cinzas do Norte" (Companhia das Letras), todos vencedores do Prêmio Jabuti. Também publicou coletâneas de contos e crônicas. Seus livros já ultrapassam 500 mil exemplares vendidos em 17 países.

Biografia

Milton Hatoum nasceu em Manaus, em 1952. Em 1968, mudou-se para Brasília, onde estudou no Colégio de Aplicação da UnB. Morou em São Paulo durante toda a década de 1970 e formou-se em arquitetura pela FAU-USP, onde desenvolveu pesquisa orientada pelo geógrafo Milton Santos. Foi professor de história da arquitetura na Universidade de Taubaté (1978-1979). Em 1980, morou em Madri como bolsista do Instituto Ibero Americano de Cooperación. Entre 1981 e 1983, viveu em Paris, onde cursou mestrado em literatura latino-americana. De 1984 a 1998, foi professor de língua e literatura francesa na Universidade Federal do Amazonas. Em 1999, mudou-se para São Paulo, onde foi colunista do Caderno 2 (O Estado de S. Paulo) entre 2008 e 2016, além de colunista do jornal O Globo, do site Terra Magazine e da revista Entre livros.

Hatoum foi professor visitante na Universidade da Califórnia (Berkeley) e na Sorbonne, bolsista da Fundação Vitae (1988), da Maison des Écrivains Étrangers (Saint-Nazaire, França) e escritor residente nas Universidades Yale e Stanford e no International Writing Program (Iowa, EUA). Participou de seminários e conferências em diversas instituições europeias (Sorbonne, Rennes, Poitiers), norte-americanas (Biblioteca do Congresso, Berkeley, Princeton, Yale) e libanesas (Saint-Joseph, American University).

Obras e reconhecimentos

Em 2000, publicou "Dois irmãos", eleito o melhor romance brasileiro no período 1990-2005 em pesquisa dos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. O livro foi publicado em Argentina, Alemanha, China, Espanha, Estados Unidos, Itália, França, Grécia, Holanda, Inglaterra, Líbano, Portugal, República Tcheca e Sérvia, e adaptado para minissérie da TV Globo. Em 2005, "Cinzas do Norte" recebeu o Prêmio Portugal Telecom, Grande Prêmio da Crítica/APCA-2005, Prêmio Jabuti/2006 de Melhor Romance, Prêmio Livro do Ano da CBL e Prêmio Bravo! de Literatura. Em 2008, Hatoum recebeu a medalha da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura do Brasil. Em 2010, a tradução inglesa de "Cinzas do Norte" (Ashes of the Amazon, Bloomsbury, 2008) foi indicada ao Prêmio Impac-Dublin.

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Em 2008, publicou "Órfãos do Eldorado" (Prêmio Jabuti – 2º lugar na categoria Romance), adaptado para o cinema. Em 2009, lançou "A cidade ilhada", que inspirou o filme "O rio do desejo". Em 2013, publicou "Um solitário à espreita", seleção de crônicas. Em 2017, foi nomeado Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres pelo Ministério da Cultura da França. Recebeu o Prêmio Juca Pato/Intelectual do ano (UBE/2018) pelo romance "A noite da espera", primeiro volume da trilogia "O lugar mais sombrio". Ainda em 2018, recebeu o Prix Roger Caillois 2018 pour la Littérature Latino-Américaine (Maison de l'Amérique Latine/Pen Club France). Em 2019, lançou "Pontos de fuga", segundo volume da trilogia. Em parceria com Benedito Nunes, publicou "Crônica de duas cidades: Belém e Manaus" (2006), a ser relançado pela Companhia das Letras.

Seus livros já ultrapassam 500 mil exemplares vendidos, publicados em 17 países, com extensa fortuna crítica. Hatoum traduziu para o português "A cruzada das crianças" (Marcel Schwob), "Representações do Intelectual" (Edward Said) e, em parceria com Samuel Titan, "Três contos" (Gustave Flaubert). Publicou ensaios e artigos sobre literatura brasileira e latino-americana em revistas do Brasil, Espanha, França e Itália. Seus contos e ensaios saíram em revistas como Europe, Nouvelle Revue Française, Grand Street, Quimera e Serrote. Participou de antologias de contos brasileiros na Alemanha e México, e da Oxford Anthology of the Brazilian Short Story.

No final de 2025, lançou "Dança de enganos", último volume da trilogia "O lugar mais sombrio", pela Companhia das Letras. Continua sua atividade como escritor convidado para cursos e conferências em universidades e institutos no Brasil e exterior.