Miguel Falabella fala sobre críticas, retorno em 'Três Graças' e paixão pelo teatro
Miguel Falabella sobre críticas, 'Três Graças' e amor ao teatro

Miguel Falabella reflete sobre carreira, críticas e o poder da comédia em entrevista exclusiva

Miguel Falabella, aos 69 anos, é o convidado desta semana do programa da coluna GENTE, disponível em múltiplas plataformas digitais. O renomado ator, dramaturgo, diretor e autor compartilha insights profundos sobre sua trajetória, abordando desde as críticas que recebe até seu retorno às novelas após duas décadas.

O teatro como acolhimento e a observação do cotidiano

Os trabalhos de Falabella sempre partiram da observação aguçada do cotidiano, mas nunca se limitaram ao óbvio. Em A partilha e outras peças teatrais, ele reúne quatro textos que atravessam décadas de sua produção dramatúrgica, mantendo-se vibrantes por explorarem temas humanos universais como memória, afeto, perdas e reconciliação.

"O teatro me deu acolhimento", afirma o artista, emocionado ao relembrar um encontro marcante no bairro da Liberdade, em São Paulo, onde um homem negro o abraçou e disse, com sotaque português: "Durante a guerra tu me destes alegria". Para Falabella, esse reconhecimento vale mais que qualquer prêmio.

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Retorno às novelas em 'Três Graças' e vontade de escrever

Após vinte anos afastado das novelas, Falabella retornou como o galerista Kasper Damatta em Três Graças, produção das 9 da TV Globo. "Foi uma experiência adorável ter voltado", comenta, destacando o prazer de trabalhar com uma nova geração de atores talentosos e reverentes.

Ele expressa entusiasmo pelo sucesso popular da novela e pela representação de um casal gay inter-racial e intergeracional, considerando-a uma conquista significativa. Além disso, revela "muita vontade" de voltar a escrever novelas das 7, repletas de humor, priorizando projetos que considera essenciais nesta fase da vida.

A força política da comédia e a defesa do intelecto

Falabella defende veementemente o humor como ferramenta crítica e transformadora. "Acho que o riso é a gasolina do espírito", declara, argumentando que a comédia, desde Shakespeare, oferece uma visão crítica do mundo. Para ele, dizer a verdade através da comédia é mais eficaz que métodos convencionais, pois é catártico e não cria vilões presos.

Questionado sobre a vilipendiação da comédia popular, ele responde: "Porque a gente não gosta do que é popular". Criado em um ambiente de alta intelectualidade – sua mãe era professora de literatura da UFRJ e seu pai, arquiteto –, Falabella não vê conflito entre popularidade e qualidade intelectual.

Críticas, crise da TV aberta e legado

Sobre as críticas, o artista adota uma postura pragmática: "Não perco tempo com mimimi". Ele afirma não se preocupar com cancelamento, já estando em seu "terceiro ato" e focando no que realmente importa, exceto em casos graves ou ofensivos.

Quanto à crise da TV aberta, atribui-a majoritariamente à internet e à dificuldade de concentração das pessoas. Paradoxalmente, observa um renascimento do teatro, especialmente em musicais que atraem grande público cativo. "Não conheci crise no teatro", ressalta, destacando a vitalidade do meio.

Personagens marcantes e impacto cultural

Falabella reflete sobre seu papel como criador de personagens que abriram portas na televisão, como as quatro irmãs de A Partilha, que representam a classe média brasileira e suas complexidades. Ele também comenta sobre Caco Antíbes, personagem que interpretou e que considera "um horror", misógino e violento, mas que, feito com carisma, se tornou um vilão amado-odiado, especialmente em Portugal, onde ainda faz sucesso após 30 anos.

O programa semanal da coluna GENTE vai ao ar toda segunda-feira, disponível no canal da VEJA no YouTube, no streaming VEJA+, na TV Samsung Plus e em versão podcast no Spotify.

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