A Academia Goiana de Letras realizará um evento aberto ao público na terça-feira, dia 28, para o lançamento de três livros que retratam a história de duas ruas e uma avenida de grande importância histórica para Goiânia. As obras intituladas "Rua 25: Centro", "Avenida Paranaíba" e "Rua 16: Centro" foram escritas por um grupo de coautores que já colaboraram em outros projetos semelhantes para contar a história da capital goiana.
Objetivo de preservar a memória
Ubirajara Galli, um dos escritores e membro da curadoria dessas e de outras obras com o mesmo tema, destacou ao g1 que o objetivo principal dos pesquisadores envolvidos é preservar a história de Goiânia, que, segundo ele, se perdeu em grande parte ao longo dos anos. De acordo com Galli, os livros surgem de um intenso trabalho de pesquisa com famílias tradicionais da capital e locais de grande importância histórica desde a construção de Goiânia.
"Goiânia é uma cidade jovem, com apenas 90 anos. E da sua memória arquitetônica e humana, ela perdeu demais. Para se ter ideia da parte material, física e arquitetônica, das primeiras casas de alvenaria construídas em Goiânia, entre 1934 e 1935, só resta a derradeira moicana, a sede da Academia Goiana de Letras, na Rua 20. E também essa perda da memória humana, dessas pessoas que ajudaram a materializar o sonho de Pedro Ludovico de brotar Goiânia", afirmou o escritor.
Figuras históricas
Entre as figuras históricas de grande importância para a capital, Galli relembrou a história de Joaquim Câmara Filho, que trouxe, junto aos irmãos, o Grupo Jaime Câmara de comunicação para Goiânia. Segundo ele, Joaquim teve um papel fundamental na divulgação da nova capital de Goiás, apostando no projeto e construindo a primeira casa da Rua 16, no Centro, endereço que dá nome a um dos livros. A obra também conta com uma dedicatória ao comunicador.
Galli afirmou que, com suas pesquisas, acredita que entre as participações de Joaquim Câmara na divulgação da capital está o momento em que o projeto foi oficialmente apresentado por Pedro Ludovico em julho de 1942, um plano que ele acredita ter sido influenciado pelo comunicador. "Em toda conclusão das minhas pesquisas, tudo leva a crer que ele deve ter sugerido apresentar Goiânia de uma forma diferenciada, a sua inauguração, por meio de um batismo cultural. Então é ainda uma personalidade a ser compartilhada", pontuou.
Importância histórica das vias
Rua 25
O escritor destacou que a Rua 25, no Centro da capital, que deu vida a um dos livros, abrigou a residência do fundador de Goiânia, Pedro Ludovico. Inclusive, a capa do livro "Rua 25: Centro" retrata a imagem da casa ainda recém-construída.
Avenida Paranaíba
A Avenida Paranaíba faz parte do planejamento inicial de Goiânia, tendo sido inaugurada em 1930. Ela conecta o Parque Botafogo à região do antigo aeroporto. O local abrigou o Hospital Santa Luíza, representado na capa do livro "Avenida Paranaíba". No mesmo local, atualmente está localizada uma Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Rua 16
Além de abrigar a casa de Joaquim Câmara Filho, a Rua 16, no Centro da capital, tem grande importância histórica, também tendo sido planejada em 1930 e fazendo parte da fundação da capital. O local também abrigou a casa do Desembargador Eládio de Amorim, interventor federal interino em Goiás, representada na capa do livro "Rua 16: Centro".
Coautores
De acordo com Ubirajara, o grupo de coautores que participaram dos livros inclui escritores que atuam nas mais diversas áreas, mas todos integram o projeto como pesquisadores em busca de manter viva a história da capital. São eles os escritores de "Rua 16: Centro" e "Rua 25: Centro": Yúri Baiocchi, Valéria Vilela, Ana Carolina D’Abreu Carvalho Pires, Jacira Rosa Pires, Sulamita Silva Costa, Maria Luiza Póvoa Cruz, Ubirajara Galli, Narcisa Abreu Cordeiro e Sônia Marise. Já os escritores que colaboraram para dar vida ao livro "Avenida Paranaíba" são: Valéria Vilela, Ana Carolina D’Abreu Carvalho Pires, Jacira Rosa Pires, Narcisa Abreu Cordeiro, Maria Luiza Póvoa Cruz, Ubirajara Galli, Maria Elizabeth Fleury Teixeira e Alice Augusta Seixo de Britto de Fleury.
Causa nobre
Galli pontuou que os pesquisadores não receberam incentivos públicos para realizarem as pesquisas e publicarem as obras. De acordo com ele, os livros partem de um projeto independente dos coautores que pretendem manter viva a história de Goiânia e sua importância. "Nossa obra visa compartilhar e armazenar no tempo aquilo que ainda é possível dessa Goiânia tão jovem e com essa perda tão sensível de memória, humana e arquitetônica. Esse é o nosso propósito", afirmou o escritor. Ele também destacou que o projeto, que já deu vida a outros livros contando a história da capital, deve continuar, retratando outras ruas de grande importância e complementando o acervo histórico de Goiânia.



