Fotógrafo mineiro capturou o nascimento de Brasília com inventividade e mais de 500 registros históricos
Em um acervo quase desconhecido do grande público, a história do surgimento de Brasília é narrada através das lentes do fotógrafo mineiro Geraldo Vieira. Com mais de 500 fotografias da época da construção, sendo 130 reunidas em um livro já disponível para compra online, o trabalho preserva o legado deste profissional que se encantou com a ideia do então presidente Juscelino Kubitschek de erguer uma cidade no coração do Cerrado.
Momento histórico: a primeira missa em meio ao canteiro de obras
Como um "juscelinista" assumido, Vieira participou de momentos fundamentais da história da capital federal. Entre eles, destaca-se a primeira missa celebrada em Brasília, no dia 3 de maio de 1957, quando a cidade ainda era um imenso canteiro de obras. A bandeira do Brasil, plantada no meio do terreno, simbolizava o caráter nacional da empreitada, um detalhe capturado pela objetiva do fotógrafo.
Inventos à frente do tempo: a "trapizonga" e o "pau de selfie" pioneiro
Geraldo Vieira pode não ter sido o único a fotografar esses eventos, mas seus métodos eram, no mínimo, inusitados para a época. Além das imagens, o mineiro era conhecido por suas invenções, como a chamada "trapizonga". Ele adaptou sua câmera Rolleiflex em um cabo de vassoura, acrescentando um arame que, ao ser puxado, acionava o botão disparador da máquina. Essa engenhoca funcionava como uma espécie de "pau de selfie" avant la lettre, permitindo que ele driblasse a multidão e obtivesse ângulos únicos.
Registros arquitetônicos e da vida cotidiana na nova capital
As fotografias de Vieira documentam não apenas as grandiosidades arquitetônicas, mas também o cotidiano da cidade em formação. Ele capturou prédios emblemáticos em diversos estágios, desde a fundação até a conclusão das fachadas, mostrando a vastidão do local escolhido para abrigar Brasília. Enquanto isso, a vida seguia além das construções: o fotógrafo registrou cenas no acampamento de kombis "Núcleo Volkswagen" e o Grande Prêmio Presidente Juscelino Kubitschek, realizado no Eixão Sul poucos dias após a inauguração da capital.
Preservação do legado: livro reúne 130 imagens históricas
As quase 500 fotos feitas por Geraldo Vieira em Brasília foram estudadas pela jornalista e doutora em história Fernanda Torquato. Com o apoio da família do fotógrafo, ela compilou 130 desses registros no livro "Brasília - Geraldo Vieira", uma iniciativa para salvaguardar seu legado. "Ele era o cara do progresso. Tudo que era inovação, ele fotografava. As fotos são lindíssimas. É um dever da família, e se tornou o meu, de divulgar esse legado dele", afirma Fernanda.
Acervo familiar: mais de 80 mil negativos e uma tradição fotográfica
Henrique Vieira, neto de Geraldo, revela que a família, composta por vários fotógrafos, incluindo ele próprio, está feliz em compartilhar esse trabalho inédito. "O acervo que o meu avô deixou é mais de 80 mil negativos. Ele era um repórter nato. Olha o quanto a fotografia é importante como ferramenta de registro histórico. Imagina os jovens de hoje poderem ver as fotografias de ontem, da construção de Brasília", destaca Henrique, enfatizando o valor dessas imagens para as novas gerações.



