Fotógrafo transforma voo de andorinhas em arte que parece dança no céu de Chapecó
Fotógrafo cria arte com voo de andorinhas em dança no céu de SC

Fotógrafo transforma voo de andorinhas em “dança” no céu de Santa Catarina

Nascido e criado em Chapecó, Santa Catarina, o designer Matheus Schmitz, de 26 anos, tem ganhado destaque nas redes sociais ao transformar o fenômeno da migração de aves em verdadeiras obras de arte. Suas fotografias das andorinhas-grandes, cientificamente conhecidas como Progne chalybea, chamam a atenção pelos múltiplos traços que preenchem o céu, revelando uma perspectiva única e poética sobre o movimento dessas aves.

Planejamento e execução meticulosa

Matheus, que enxerga a fotografia como uma forma de terapia, planejou minuciosamente a execução do projeto durante vários dias. O cenário escolhido foi a icônica Catedral Santo Antônio, um marco turístico de Chapecó inaugurado em 1956, além de áreas próximas ao Terminal Urbano, locais onde as andorinhas costumam descansar durante sua jornada migratória. A série fotográfica foi batizada de “Dançarinas”, uma alusão direta à fluidez e sincronia impressionante do voo dessas aves.

“Por mais que a andorinha seja uma espécie de pequeno porte, quando voam todas juntas, dão a sensação de um único ser dançando no céu”, relata o designer, emocionado com o resultado final. A obra não apenas captura a beleza natural, mas também transmite uma mensagem profunda sobre a harmonia e a conexão entre os seres vivos.

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Técnica inovadora de empilhamento fotográfico

Inspirado pelo renomado fotógrafo espanhol Xavier Bou, Matheus utilizou uma técnica que exige extrema paciência e precisão. Durante cinco dias consecutivos, ele manteve a câmera estática na mesma posição, capturando aproximadamente 100 fotografias em intervalos regulares de cinco segundos cada. No processo de pós-produção, ele aplicou o método conhecido como “empilhamento”, que consiste na combinação digital de múltiplas imagens da mesma cena para criar uma única fotografia final.

Dessa maneira, ele conseguiu somar visualmente os movimentos de todas as aves, transformando uma sequência temporal dinâmica em uma obra estática, porém impactante e repleta de significado. Para o jovem artista, o fenômeno migratório, que ocorre tipicamente entre os meses de março e abril em Chapecó, evoca um sentimento intenso de pertencimento e humildade perante a natureza.

Conexão com a natureza e mensagem de preservação

A paixão de Matheus pela natureza tem raízes na infância, fortemente influenciada pelos seus pais. Atualmente, ele busca utilizar a estética fotográfica não apenas para espalhar beleza, mas também para levar uma mensagem crucial de preservação ambiental. “Além de compartilhar a beleza natural, quero promover conscientização. Temos apenas uma chance nesta Terra e não podemos deixar de apreciá-la e protegê-la”, enfatiza o fotógrafo.

Ele descreve a atividade como uma imersão profunda que o encanta, onde o resultado final nas fotografias é a consequência direta desse amor e conexão com o meio ambiente. A espécie fotografada, a andorinha-grande, foi identificada com a colaboração da ornitóloga Eliara Solange Müller, da Unochapecó, enquanto a pesquisadora Karlla Vanessa de Camargo Barbosa detalhou os hábitos migratórios.

Segundo Karlla, essas aves se reúnem na região após a reprodução e seguem em direção ao norte do país, formando grandes grupos para viajar em conjunto, uma estratégia de proteção contra predadores e para encontrar pontos de parada adequados. A ficha técnica da andorinha-grande inclui tamanho entre 16 e 22 centímetros, peso de 33 a 55 gramas, plumagem escura com brilho azul-metálico, e hábitos que incluem viver em áreas urbanas e rurais, alimentando-se de insetos capturados em voo ou no solo.

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