Figurinos de 'A Nobreza do Amor' mergulham na riqueza cultural africana
A produção da nova novela das seis da TV Globo, 'A Nobreza do Amor', está criando um universo visual impressionante que combina fábula, realeza e profundas referências africanas. Com uma estimativa de até 4 mil peças de figurino, entre itens inéditos, adaptações do acervo e roupas especialmente confeccionadas, a equipe de produção busca representar com autenticidade a cultura de povos como os iorubás e ashanti.
Jendal: poder e autoridade em cada detalhe
Um dos figurinos que mais se destaca é o de Jendal, interpretado por Lázaro Ramos, que como primeiro-ministro de Batanga carrega elementos que transmitem poder e autoridade. "A cobra que ele usa na cabeça, os colares, a quantidade de ouro, os braceletes, o tom da roupa. É uma roupa pesada, muito bordada. Quando ele anda, a roupa gira junto com ele", descreve a figurinista Marie Salles.
Pesquisa profunda e símbolos significativos
O processo de criação começou há seis meses com uma extensa pesquisa liderada pelo consultor Maurício Camillo, especialista na história de grandes reinos africanos. A equipe concentrou-se na região conhecida como Iorubalândia, que abrange Benim, Togo e Nigéria, local onde se situa o reino fictício de Batanga.
Para cada personagem, foram desenvolvidos estampas, adornos e símbolos específicos, incluindo os adinkras - conjunto de símbolos que expressam valores tradicionais, ideias filosóficas e códigos de conduta da cultura ashanti. "Cada personagem tem um ou dois adinkras que têm a ver com a sua personalidade", explica Marie Salles.
Dois universos, duas paletas de cores
Após um golpe de Estado em Batanga, a rainha Niara (Erika Januza) e a princesa Alika fogem para o Brasil, chegando à cidade nordestina de Barro Preto. Mesmo deixando de ser realeza, suas identidades são preservadas através das cores de seus figurinos.
"Elas contracenam com pessoas de Barro Preto, que usam cores frias, enquanto elas usam tons quentes para criar esse contraste", detalha a figurinista. Para lidar com a complexidade dos dois universos, a equipe foi dividida entre os núcleos Batanga e Barro Preto, garantindo harmonia visual em cada cena.
Representação séria e responsável
A principal preocupação da equipe é a seriedade na representação da cultura africana. "A gente quis mostrar a África como ela é: rica e potente. A grandeza que essa cultura imprime e que a gente não conhece, né? Porque a gente conhece uma outra história", afirma Marie Salles.
A produção busca que o público se sinta representado e reconheça a importância de uma narrativa que, segundo a figurinista, nunca foi contada dessa forma na televisão brasileira. Cada elemento dos figurinos foi pensado com cuidado, desde as estampas criadas pela própria equipe até os bordados matemáticos que carregam significados específicos.
"A roupa africana fala muito pelas estampas, pelo bordado. É muito matemático e tudo tem um porquê. A cultura é muito rica", finaliza a profissional, destacando o compromisso da produção em honrar as tradições que inspiram a novela.
