Casa Fiat celebra 20 anos com exposição dedicada a Renoir
Obras do pintor impressionista francês Pierre-Auguste Renoir chegaram a Belo Horizonte em uma operação logística cheia de cuidados: transporte em caminhão climatizado, monitoramento de temperatura e umidade por aplicativo e até um período obrigatório de 24 horas de aclimatação antes de serem desembaladas. Os quadros, que pertencem ao acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), fazem parte de uma exposição inédita que abre ao público na terça-feira (10) na Casa Fiat de Cultura, como parte das comemorações de 20 anos da instituição.
Operação logística de alto nível
Ao todo, 12 obras produzidas entre 1870 e 1916 serão exibidas pela primeira vez fora do estado de São Paulo. As obras saíram de São Paulo embaladas em caixas especiais e foram transportadas até Belo Horizonte em caminhão climatizado, com controle rigoroso das condições ambientais. Ao chegar à galeria, os quadros permaneceram 24 horas em repouso para se adaptar à temperatura e à umidade do novo ambiente. Todo o processo na galeria é acompanhado em tempo real, com monitoramento por aplicativo de celular. “Ficamos de olho nisso 24 horas”, diz o produtor de eventos da Casa Fiat, Igor Antunes.
Caixas duplas e verificação minuciosa
Mesmo depois da viagem, os quadros não são revelados imediatamente. Ao abrir a caixa externa, a equipe encontra uma segunda caixa, que protege ainda mais a obra. Só depois de desparafusar essa estrutura interna é que a pintura pode ser analisada e retirada por conservadores. Os profissionais verificam todos os detalhes, como os cantos das molduras e áreas mais sensíveis da pintura, onde eventuais danos poderiam aparecer primeiro. A conservadora e restauradora do MASP, Rafaela Malta, informou que analisa toda a pintura, de forma completa, e “principalmente os cantos das molduras, que são áreas mais sensíveis, além das áreas centrais e dos ornamentos”.
Isolamento e controle de umidade
As telas já ficam protegidas pela moldura das obras, chamada de climabox. A moldura é responsável por criar um microclima com a mesma umidade do museu de origem. Para se prepararem para o transporte, é necessário ainda mais cuidados. As obras ficam quase suspensas dentro da embalagem, dentro da caixa, que é envolta por um material isolante, que ajuda a manter a temperatura estável. Segundo a equipe de conservação, esse preparo é feito muito antes da viagem, ainda dentro do MASP.
Instalação milimétrica e escultura de 224 kg
Depois de verificadas, as obras passam para a etapa de instalação na galeria. Montadores usam laser, trenas e níveis para garantir que cada quadro seja colocado exatamente na posição definida no guia de montagem da exposição. Entre as peças que chegam a Belo Horizonte está também “Vênus Vitoriosa”, uma escultura de bronze de Renoir. A obra mede 1,80 metro de altura e pesa 224 quilos, o que exige atenção redobrada durante o transporte e a instalação.
Obras que estarão na exposição
Entre as pinturas exibidas estão:
- "A menina com as espigas"
- "Retrato de Marthe Bérard"
- "A dama sorrindo"
Segundo a gestora de cultura da Casa Fiat, Ana Vilela, Renoir é um dos artistas mais populares do impressionismo. “Ele tem uma afetividade muito grande com o público, pela luz, pelas cores e pelas cenas do cotidiano.”
Experiência imersiva com obra famosa
Uma das pinturas mais conhecidas do artista no acervo do Masp, “Rosa e Azul”, não veio para Belo Horizonte. Mesmo assim, os visitantes poderão conhecer a história da obra em uma experiência imersiva, que apresenta o contexto do quadro e o destino das irmãs Alice e Elizabeth Cahen d'Anvers, retratadas pelo artista francês. Esta exposição marca um momento significativo para a cena cultural de Belo Horizonte, trazendo obras de renome internacional com todos os cuidados necessários para preservar seu valor histórico e artístico.
