Juca de Oliveira e Marquinhos: As despedidas de dois ícones que marcaram o Brasil
Despedidas de Juca de Oliveira e Marquinhos marcam semana

Duas perdas que ecoam na cultura e no esporte brasileiro

A semana de março de 2026 ficou marcada por duas despedidas profundamente sentidas no cenário nacional. Juca de Oliveira, ator gigante e incansável ativista político, e Marcos Antônio Abdalla Leite, o Marquinhos, pioneiro do basquete brasileiro que recusou a NBA para defender a seleção, nos deixaram com apenas um dia de diferença. Suas trajetórias, embora em campos distintos, compartilham o mesmo fio condutor: o compromisso com a excelência e a paixão pelo que faziam.

Juca de Oliveira: a política através da arte

Formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo após abandonar o segundo ano de direito, Juca de Oliveira construiu uma carreira que ressoou tanto no público quanto entre seus pares. Sua luta permanente pelos direitos dos atores foi tão marcante quanto seus personagens. Nos anos 1960, foi um dos compradores do Teatro de Arena, espaço que ganhou relevância especial após o golpe militar de 1964, servindo como bastião de resistência artística sob a sombra da censura e do autoritarismo.

No palco, seu talento brilhou desde cedo, começando com o papel de Happy, filho da protagonista de A Morte do Caixeiro Viajante, em 1962. Na televisão, conquistou o público brasileiro com personagens inesquecíveis: Nino, o Italianinho na TV Tupi; João Gibão em Saramandaia (1976) na Globo; e o cientista Augusto Albieri em O Clone (2001). No cinema, destacou-se em O Caso dos Irmãos Naves (1967), dirigido por Luiz Sergio Person.

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Para Juca, de formação shakespeariana, o teatro era "a pátria do ator", uma plataforma fundamental que nunca abandonou. O ator Ary Fontoura o descreveu como "um homem de talento que não se explicava, que se sentia". Juca de Oliveira faleceu em 21 de março, aos 91 anos, deixando um legado que atravessa gerações.

Marquinhos: o pioneiro que escolheu a seleção brasileira

Antes da recente onda de brasileiros na NBA, como Anderson Varejão, Leandrinho, Nenê e Gui Santos, houve Marcos Antônio Abdalla Leite, o Marquinhos. Revelado pelo Fluminense, onde atuou dos 15 aos 22 anos (1967-1974), o pivô de 2,04 metros seguiu para os Estados Unidos e jogou pela Universidade de Pepperdine na Divisão 1 da NCAA até 1976, com média impressionante de 18 pontos por jogo.

Seus feitos o levaram ao Hall da Fama da instituição em 2013. Em 1976, entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro selecionado no Draft da NBA, escolhido pelo Portland Trail Blazers. No entanto, em uma decisão que define seu caráter, recusou a oportunidade de atuar na maior liga do mundo para não abrir mão de defender a seleção brasileira, já que, na época, jogadores da NBA não podiam disputar competições internacionais por seus países.

No Brasil, sua transferência para o Sírio marcou o auge da carreira em clubes, onde integrou um elenco histórico e acumulou conquistas: títulos paulistas, campeonatos brasileiros, taças sul-americanas e o mundial interclubes de 1979. Pela seleção, esteve no elenco vice-campeão mundial em 1970 e foi um dos principais nomes do bronze na Copa do Mundo de 1978 — ainda hoje o último pódio do Brasil em um mundial masculino de basquete.

Participou de três edições dos Jogos Olímpicos (1972, 1980, 1984), conquistou o ouro no Pan-Americano de 1971 e três títulos sul-americanos. Marquinhos faleceu em 22 de março, um dia antes de completar 74 anos, deixando um exemplo de patriotismo e dedicação ao esporte.

Legados que permanecem

As trajetórias de Juca de Oliveira e Marquinhos mostram como a paixão e o compromisso podem transcender suas áreas de atuação. Enquanto Juca usou o teatro, a televisão e o cinema como ferramentas de expressão política e artística, Marquinhos priorizou a camisa da seleção brasileira sobre o brilho da NBA. Ambos moldaram setores fundamentais da cultura nacional e deixaram marcas que continuarão a inspirar futuras gerações. Suas despedidas, tão próximas no tempo, nos lembram da importância de celebrar e preservar as histórias daqueles que ajudaram a construir a identidade brasileira.

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