Conforme novos episódios de Euphoria são divulgados semanalmente, uma coisa fica clara: o envolvimento da protagonista Rue (Zendaya) com o cafetão Alamo Brown (Adewale Akinnuoye-Agbaje) não acabará nada bem. Razões para tal não faltam: o novo patrão da anti-heroína chefia uma operação que vai do trabalho sexual até o tráfico de armas, e está no foco de uma investigação federal. O começo do fim, ao que tudo indica, está no episódio deste domingo, 3, quando autoridades enfim encurralam a anti-heroína e exigem sua cooperação. O dilema, diz o ator, faz parte de um grande “teste de fé”. Em entrevista a VEJA, Akinnuoye-Agbaje destrincha a índole do algoz que interpreta, revela inspirações por trás do papel e elogia sua principal colega de cena.
O karma como fio condutor
Os novos episódios saltam no tempo e exploram ainda mais todos os temas adultos das temporadas anteriores, com tráfico de drogas, trabalho sexual e a religiosidade. Quando questionado sobre o que mais o cativou nos roteiros, o ator respondeu: “O karma. Há uma consequência para cada escolha que você faz. Todo mundo está sujeito a essa única regra do universo — seja você jovem ou velho, negro ou branco, mulher ou homem. Vemos esses personagens jovens tentando entrar na vida adulta e explorando o lado mais sombrio da vida.”
Alamo Brown, o personagem que ele interpreta, construiu seu império com cinco clubes de strip-tease bem-sucedidos, vendendo armas, drogas e pessoas nos bastidores. Ele abriu caminho à bala para chegar ao topo. “Então ele vai proporcionar um despertar brutal e rude para esses jovens ingênuos que estão tentando vencer na vida do lado errado da lei. Ele vai mostrar as consequências das ações deles e vai usar os talentos e habilidades deles em benefício próprio, se puder. É muito interessante observar como esses jovens lidam com as escolhas de vida dentro do mundo dele. A gente vê se eles conseguem sair disso ou se acabam sucumbindo. No fim das contas, é um teste de fé. Ele diz: ‘Você acredita em Deus? Então vamos ver se Ele acredita em você’, e, então, testa isso em todos os momentos. Acho que é uma ótima mensagem para a geração mais jovem: se você acredita, é melhor que acredite de verdade. Há uma responsabilidade nesse tipo de proposta artística que realmente me atraiu para o projeto.”
Influências cinematográficas e escala épica
Questionado sobre as filmagens, Akinnuoye-Agbaje revelou que o criador Sam Levinson se inspirou fortemente na iconografia dos faroestes, especialmente filmes de Sergio Leone. “Meu personagem foi baseado em alguns ícones do gênero, como James Brown, Eli Wallach e Woody Strode. A proposta foi misturar papéis que eles interpretaram ao contexto contemporâneo. Além disso, a escala é muito maior. É épica. Filmamos em película, com rolos de 65mm ou 135mm, dentro de equipamentos especiais criados para isso. Assim, a experiência se tornou muito cinematográfica. A trilha sonora de Hans Zimmer também é incrível, assim como os figurinos e cenários. A casa de Alamo Brown é imponente, no alto de uma colina, quase como um castelo. Tudo nesses episódios é maior do que a vida.”
Parceria com Zendaya
O ator nigeriano-britânico também elogiou a protagonista Zendaya, com quem contracena majoritariamente. “Maravilhoso. Ela é uma jovem muito talentosa, inteligente, generosa e bem-humorada. Desenvolvemos uma química muito natural. Sou um cara brincalhão, o que veio a calhar nas cenas. Mesmo quando elas são carregadas de tensão e têm um clima mais sombrio, ainda existe um senso de humor nos dois personagens. Tanto ele quanto ela são muito carismáticos. A dança entre os dois é muito interessante.”



