Expedição científica revela 50 sítios arqueológicos no oeste do Amazonas
Uma expedição científica realizada no oeste do Amazonas, ao longo do Rio Japurá, próximo à fronteira com a Colômbia, resultou na descoberta de cinquenta sítios arqueológicos. Os pesquisadores do Instituto Mamirauá percorreram 200 km do Alto Japurá entre 9 de fevereiro e 2 de março, registrando achados que funcionam como uma "linha do tempo" da história amazônica.
Vestígios que contam a história da ocupação humana
Entre os achados estão gravuras rupestres, cerâmicas antigas, terra preta, fontes de matérias-primas e objetos ligados ao Ciclo da Borracha. Este período econômico, que teve seu auge entre 1879 e 1912, foi fundamental para a economia do Amazonas, chegando a representar cerca de 50% do Produto Interno Bruto da região durante seu pico.
O arqueólogo Márcio Amaral, do Instituto Mamirauá, destacou a importância dessas descobertas: "A identificação dos sítios e dessas informações históricas ajuda a pensar políticas públicas e estratégias de proteção para essas áreas de floresta que ainda não têm destinação definida".
Comunidades locais como protagonistas da pesquisa
Segundo o instituto, indígenas e ribeirinhos tiveram papel fundamental na expedição, conduzindo os pesquisadores até os sítios e compartilhando relatos sobre a ocupação da região. Amaral ressaltou que essas populações são protagonistas na preservação da memória: "Eles carregam relatos e conhecimentos que contribuem para a pesquisa. Nós somos como pontes, enquanto eles são as principais fontes desses espaços".
Iniciativa multidisciplinar para conservação
O trabalho faz parte de uma ação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima que busca reunir dados ambientais, arqueológicos e socioculturais para orientar políticas de conservação da floresta e valorização do patrimônio histórico. Além do Instituto Mamirauá e do MMA, participam da iniciativa:
- Field Museum of Natural History (Chicago)
- Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
- Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
- Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)
- Amazon Conservation Team (ACT)
Resultados e próximos passos
Os primeiros resultados da expedição já foram apresentados em uma oficina em Manaus, nos dias 19 e 20 de março. Um relatório completo será entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para subsidiar ações de proteção e valorização do patrimônio arqueológico amazônico.
Esta descoberta reforça a importância da integração entre conhecimento científico e saberes tradicionais para a compreensão da história da ocupação humana na Amazônia e para a formulação de políticas de conservação que respeitem tanto o patrimônio histórico quanto as comunidades que habitam a região há gerações.



