Rodrigo Teixeira celebra 20 anos da RT Features e analisa o cinema brasileiro
Produtor Rodrigo Teixeira celebra 20 anos e fala sobre cinema brasileiro

Produtor Rodrigo Teixeira celebra 20 anos da RT Features com mostra gratuita em São Paulo

O produtor cinematográfico Rodrigo Teixeira, responsável por filmes aclamados como "Ainda Estou Aqui" e "Me Chame Pelo Seu Nome", comemora duas décadas de sua produtora, a RT Features. A celebração acontece na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, com uma programação especial que inclui exibições de 20 filmes do portfólio da empresa, além de cursos e debates gratuitos.

Trajetória marcada por perseverança e conquistas internacionais

Em entrevista exclusiva, Teixeira reflete sobre os 20 anos de trajetória: "Alguma ambição, sim. O produtor que não tem ambição morre cedo. Acho que ambição a gente sempre teve. Sonhei com muita coisa que eu conquistei". O produtor destaca que a perseverança foi fundamental para superar tanto momentos bons quanto difíceis ao longo dessas duas décadas.

A mostra comemorativa oferece masterclasses sobre roteiro, direção de atores, produção e distribuição, com convidados especiais para interagir com o público. Toda a programação é gratuita, com ingressos distribuídos uma hora antes de cada sessão, sujeitos à lotação do espaço.

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Futuros lançamentos e produções internacionais

Teixeira revela que possui seis filmes prontos para lançamento, incluindo produções com participação internacional. Entre eles está "Paper Tiger", dirigido por James Gray e estrelado por Adam Driver, Miles Teller e Scarlett Johansson. Outro destaque é "Glaxo", um filme argentino com elenco de peso como Lali Espósito e Marcelo Subiotto.

O produtor também menciona "La Perra", com participação especial de Selton Mello, e "Lobos", filmado no Líbano com atores locais. Sobre esta última produção, Teixeira compartilha: "Eu comecei essa produção quando Israel entrou em guerra com o Líbano em 2024, aí tive que parar. Voltei no ano passado em um momento de paz... É um filme que eu tenho muito orgulho de ter feito".

Análise do cinema brasileiro e necessidade de incentivos

Questionado sobre a evolução do cinema nacional nos últimos 20 anos, Teixeira é enfático: "Acho que a política pública é necessária. O investimento público no cinema é superimportante". Ele critica o período do governo Bolsonaro, que segundo ele "atrofiou" o setor, e pondera que o governo atual não resolverá todos os problemas em um único mandato.

O produtor celebra as conquistas recentes do cinema brasileiro, especialmente o Oscar de melhor filme internacional para "Ainda Estou Aqui": "O reconhecimento do Oscar é como se a gente tivesse ganhado a Copa do Mundo. Por isso que a gente engaja. Porque isso é alegria, isso é autoestima".

Talento brasileiro em destaque no cenário mundial

Teixeira destaca o reconhecimento internacional de atores brasileiros: "A Fernanda Torres e o Wagner Moura, a gente sabe o que eles são. Quem está descobrindo o que eles são agora são os americanos e o resto do mundo". Ele cita ainda Selton Mello, Rodrigo Santoro, Gabriel Leone e uma série de outros talentos nacionais que têm conquistado espaço global.

Sobre a atual popularidade do Brasil no exterior, o produtor confirma: "Muito. Hoje falar do Brasil já é meio caminho andado para você apresentar alguma coisa". Ele ressalta, porém, que esse interesse precisa ser acompanhado de apoio estrutural para que se traduza em produções consistentes.

Desafios e perspectivas para o futuro

Teixeira expressa cautela sobre a repetição imediata do sucesso em premiações internacionais: "Como eu falei aqui, houve uma atrofia do mercado brasileiro no governo Bolsonaro". Ele explica que tanto "Ainda Estou Aqui" quanto "O Agente Secreto" foram desenvolvidos antes desse período, e que novos projetos precisam de tempo para amadurecer.

O produtor enfatiza a importância dos grandes festivais internacionais como Berlim, Cannes e Veneza como vitrines essenciais para o cinema mundial. Sem a presença nessas plataformas, fica mais difícil almejar indicações ao Oscar e outros prêmios de prestígio.

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Legado pessoal e profissional

Refletindo sobre o que aprendeu em 20 anos de carreira, Teixeira compartilha: "Aprendi que no cinema você tem que ter muita perseverança. Eu sacrifiquei muito da minha vida pessoal para fazer o que eu faço". Ele reconhece os desafios de conciliar a carreira internacional com a vida familiar, mas encontra orgulho no interesse de seus filhos pela área cinematográfica.

Teixeira finaliza com otimismo sobre o futuro: "Eu sei que eu deixo um legado de filmes bons. Eu vejo isso no mundo inteiro. Quando você vê que culturas completamente dispersas, pessoas que você nunca imaginou que atingiria, e essas pessoas têm um respeito por você".