Mineiro de Uberlândia vive momento histórico do cinema brasileiro em Hollywood
Mineiro vive momento do cinema brasileiro em Hollywood

Mineiro de Uberlândia testemunha ascensão do cinema brasileiro no coração de Hollywood

O Oscar 2026 pode marcar um momento histórico para o cinema brasileiro, e um artista de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, acompanha essa fase de perto, diretamente de Hollywood. O animador Romualdo Amaral está confiante porque, além do molho do ator baiano Wagner Moura em “O Agente Secreto” conquistar cada vez mais o público e a crítica, essa vibração também reverbera no trabalho da comunidade artística brasileira presente no coração da indústria do cinema mundial.

Indicação ao Oscar e recorde brasileiro

Mineiro de Uberlândia, indicado ao Oscar 2025 com 'Wicked', na categoria de efeitos visuais, neste ano, para surpresa de muitos, a Academia deixou 'Wicked 2' fora da premiação. "Acho que não fizeram uma boa campanha como no primeiro 'Wicked'. Mas ver o Brasil com cinco indicações no Oscar já me faz feliz. É um bom momento para artistas brasileiros em Hollywood", disse o animador, que passou as férias na cidade natal.

Além das quatro categorias de 'O Agente Secreto' (Melhor Filme, Melhor Elenco, Melhor Ator e Melhor Filme em Língua Não Inglesa) o Brasil chegou a cinco indicações, seu recorde, com a categoria Melhor Fotografia, com a indicação de Adolpho Veloso pelo filme "Sonhos de Trem" (EUA).

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Reconhecimento e valorização do profissional brasileiro

Romualdo tem certeza de que as conquistas do Brasil com 'Ainda Estou Aqui' e 'O Agente Secreto' reverberam positivamente para os profissionais brasileiros em busca de um espaço principalmente na indústria cinematográfica de Hollywood. "É como se os olhos do mundo se voltassem para o Brasil. Esses dias um profissional de Los Angeles me procurou para pedir dicas de como fazer networking com empresas brasileiras".

Entre janeiro e fevereiro acontecem as premiações mais importantes do cinema mundial. Acompanhadas por milhões de pessoas pela TV ou pela internet, essas cerimônias têm no momento dos discursos dos premiados um dos pontos altos. "Qualquer pessoa que vê a ficha técnica de um filme sabe que é muita gente envolvida naquela obra. Algumas produções se arrastam por anos e, por aqui, já perceberam que nós, brasileiros, conhecemos os caminhos mais difíceis, principalmente no mundo da arte e somos esforçados, não temos medo do trabalho", disse Romualdo.

Esse é um dos principais pontos ao qual ele atribui essa valorização ao profissional brasileiro. Ainda neste ano, seu trabalho poderá ser visto na Netflix em '72 Horas'. E tem outras produções já acertadas, mas mantém guardados a sete chaves... coisas do show business.

Comunidade brasileira unida em Los Angeles

Depois de algumas semanas de férias no Brasil, Romualdo Amaral voltou para os Estados Unidos, afinal, ele afirma que os eventos pré-Oscar são uma ótima oportunidade para criar novas conexões e consequentemente, atrair novos projetos. Mas o after, ele espera que seja de comemoração. "Os brasileiros que trabalham nessa área em Los Angeles são unidos. Estaremos juntos assistindo e torcendo por Kleber Mendonça Filho, pelo Wagner Moura e pelo filme 'O Agente Secreto'. Tenho muito orgulho de pertencer a esta comunidade e participar de mais um momento histórico para a sétima arte brasileira".

Bastidores e o fator humano na indústria

"Uma das coisas mais legais dos bastidores dessas produções é que a gente trabalha tanto tempo junto que acaba construindo uma família. O diretor, maquiadores, atores, os carregadores, animadores e designers, entre tantos outros. O recado que fica desses laços é que o trabalho de cada um, por mais simples que seja, importa", conta Romualdo Amaral.

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O brasileiro recorda o impacto na indústria do entretenimento com a greve dos roteiristas em 2023. Foram quase 5 meses até que retornaram ao trabalho e a roda voltasse a girar. "O fator humano ainda tem muito peso, por mais que a gente precise da Inteligência Artificial, sabemos que não podemos ser usados por ela. Por isso os estúdios estão preocupados com capacitação para lidar com essas ferramentas, ao mesmo tempo que temos diretores que juram que jamais usarão tal recurso", comentou Romualdo.

Trajetória de um sonhador batalhador

Romualdo Amaral é mineiro, 36 anos, nascido em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Um sonhador? Sim, mas principalmente, um batalhador. O menino que cresceu no bairro Pacaembu, estava sempre com a família e os amigos, já demonstrava um interesse pelas artes, principalmente pelo cinema. Mas ele acabou cursando Ciências da Computação na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e mesmo nesse meio, seus projetos já eram relacionados à sétima arte.

Trabalhou na área de Tecnologia da Informação após concluir a faculdade, em 2012. Foram quatro anos até ele decidir dar o primeiro passo em direção ao sonho. Em 2016 Romualdo partiu com a cara, a coragem e o talento para um mestrado nos Estados Unidos. Escolheu a Academy Of Art University, em São Francisco, na Califórnia. E o caminho não foi fácil. "Economizei o que pude, tive um suporte dos meus pais porque nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, as melhores universidades são pagas. A gente precisa ter um planejamento financeiro até que seja possível começar a trabalhar, o que eu consegui a partir do segundo ano do mestrado. Estudava meio período e no outro trabalhava".

O ambiente acadêmico é valioso para o ramo escolhido por Romualdo. "A universidade era do lado de Emeryville, onde fica a Pixar e muitos animadores egressos voltam pra lá como professores. Ou seja, é um ótimo lugar para se investir em novos artistas. As feiras que acontecem ao longo do ano também são ótimas oportunidades para ser recrutado por alguma empresa".

Principais creditações e momento divisor de águas

Foi marcante para o artista mineiro o convite da gigante Marvel para integrar a equipe de "Falcão e o Soldado Invernal" (2021) ainda morando em Uberlândia. Em 2022, participou de duas animações de destaque, 'Tico e Teco: Defensores da Lei' e 'Lilo Crocodilo'. Um trabalho chamava o outro e em 2024, Romualdo Amaral integrou o time de 'Harold e o Lápis Mágico' e foi um momento especial por trabalhar direto com uma grande referência para ele, o brasileiro Carlos Saldanha. "Carlos Saldanha é mais um nome que enche o Brasil de orgulho", comentou o animador.

Se compararmos os grandes projetos nos quais marcou presença de 2024 para 2025, dobraram. A maior parte desses trabalhos é pela empresa Opsis, onde ingressou em 2021. Romualdo reconhece que a indicação ao Oscar 2025 na categoria de efeitos visuais por 'Wicked' foi um divisor de águas. "Reforçou ainda mais a relação de confiança que eu já tinha na Opsis e me permitiu abraçar mais projetos presenciais, ou remotamente. Afinal, a pandemia acelerou esse processo que permite que eu trabalhe de qualquer lugar do mundo", explicou Romualdo.

Estreia na direção e novos horizontes

Morando em Los Angeles, a rotina de Romualdo Amaral é pulsante. Na profissão que escolheu é preciso estar atento ao que o mercado pede, às tecnologias, às inovações e é sempre bom ter um sonho a mais. E ele segue agora trabalhando para ser reconhecido também como diretor de cinema. O primeiro passo já foi dado, em 2024 ele finalizou o curso de Direção de Cinema na University of California (UCLA). Em breve, lançará seu primeiro live action. 'Small As A Pea', ainda sem título em português, é um filme para a família. Um pequeno explorador levará os espectadores para grandes aventuras, mas primeiro, estará no circuito de festivais.

Romualdo, como um bom mineiro, não tem pressa. Segue interagindo nos grupos de grandes artistas e não se deixa deslumbrar. Apesar de trabalhar com grandes ídolos, entende sua posição e o lado fã dá lugar ao lado profissional. O artista visual agora quer conquistar seu espaço como diretor e parte dessa história será contada em um livro que será publicado pela editora Ffyve em junho. "Descobri como diretor, roteirista e contador de histórias o poder da escrita, e vou explorar mais isso".