Lino Villaventura analisa os looks 'obras de arte' do Met Gala 2026
Lino Villaventura analisa os looks 'obras de arte' do Met Gala

O tapete vermelho do Met Gala, realizado na noite de segunda-feira, 4 de maio de 2026, foi muito mais do que um simples desfile de vestidos. Ele se transformou em uma verdadeira galeria em movimento, onde luzes, flashes e expectativas deram lugar a criações que transcenderam o conceito de roupa. Sob o olhar atento e crítico do estilista Lino Villaventura, algumas celebridades conseguiram incorporar o espírito da moda como arte, vestindo história e emoção em cada passo, como se cada silhueta fosse uma pincelada e cada movimento, um traço.

Emma Chamberlain: uma pintura viva de Van Gogh

Emma Chamberlain, vestindo Mugler, foi uma das primeiras a chamar a atenção de Villaventura. Seu look evocou a dramaticidade pictórica de Vincent van Gogh, com texturas e tons que pareciam pulsar, criando uma espécie de caos controlado e quase emocional. “Esses fios, essas mangas, essa identidade… parece tingido. É muito próximo do que eu faria. É uma pintura no corpo, sem dúvida a mais bela da noite”, afirmou o estilista, destacando a capacidade da peça de ir além do tecido e se tornar uma obra de arte viva.

Madonna e a referência sacra

Madonna surgiu como uma aparição quase sacra em Saint Laurent, com uma referência direta às “Tentações de Santo Antônio”, revisitada por Leonora Carrington e com ecos de Hieronymus Bosch. O look transformou-se em pura narrativa visual, algo que Villaventura considerou incrível. “O tema é incrível e essa Madonna foi tirada diretamente dali. Acho incríveis essas tentações, tem um universo inteiro de pintores ali”, pontuou, ressaltando a riqueza histórica e artística da escolha.

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Anok Yai: a personificação da Virgem Dolorosa

Anok Yai, em Balenciaga, foi além da roupa. Inspirada na “Virgem Dolorosa”, ela construiu uma personagem completa, da maquiagem às expressões faciais. “A roupa é maravilhosa, mas não é só a roupa. É tudo: atitude, maquiagem, a cara, as expressões. Ela incorporou. As lágrimas na make ficaram perfeitas”, analisou Villaventura, destacando a entrega total da modelo ao conceito.

Karan Johar e o luxo da pintura indiana

Entre as interpretações mais luxuosas da noite, o diretor Karan Johar trouxe a grandiosidade da pintura indiana, evocando Raja Ravi Varma em um visual opulento e quase cenográfico de Manish Malhotra. “É um luxo total. Uma coisa absurda. Um trabalho artístico incrível”, comentou o estilista, impressionado com a riqueza de detalhes e a referência cultural.

Janelle Monáe: escultura experimental

Janelle Monáe, em Christian Siriano, explorou construção e narrativa com precisão quase escultórica. Seu look flertou com o experimental sem perder o encantamento, sendo descrito por Villaventura como uma “perfeita obra de arte”. Ele destacou ainda uma tendência que atravessou a noite: o reaproveitamento criativo. “É um trabalho que eu gosto muito: usar coisas que não têm nada a ver com roupa e transformar em uma peça cultural deslumbrante.”

Os perigos do tema

Nem todos, porém, escaparam das armadilhas do tema. “É um perigo, porque pode virar algo bobo. Alguns tentaram imitar, outros ficaram superficiais. Mas esses impressionam. São roupas que merecem destaque”, concluiu Villaventura, reforçando que, apesar dos riscos, os looks que realmente incorporaram a essência da moda como arte brilharam intensamente no tapete vermelho do Met Gala 2026.

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