O ator Hugo Bonemer, de 38 anos, foi o convidado do programa semanal da coluna GENTE, disponível no canal VEJA+ no YouTube, nas plataformas de streaming Samsung TV Plus, LG, TCL e Roku, além da versão podcast no Spotify. Na entrevista, ele abordou os estudos sobre sociopatia que realizou para interpretar Tom Ripley na montagem teatral de O Talentoso Ripley, baseado no livro de Patricia Highsmith.
O mergulho na mente do sociopata
Bonemer explicou as nuances do comportamento sociopata: “O psicopata não necessariamente mata ninguém; matar é um limite criminoso de um diagnóstico comum. Existe a diferença entre sentir e ter a emoção. O sociopata tem alegria e raiva, reage ao mundo, não é uma pessoa apática. Ele tem traumas e chora, tem emoção. O que ele não tem é empatia, não sente amor. E é muito comum, pelo que tenho estudado. Há uma tentativa frustrada dos psicopatas funcionais de sentirem alguma coisa.”
Experiências pessoais com sociopatas
O ator revelou que, ao estudar o tema, identificou pessoas de seu convívio: “Agora, estudando, percebo que já me envolvi com sociopatas. Você começa a lembrar de fulano e pensa: ‘Nossa, realmente a pessoa não julgava minha forma de sentir, não entendia o sentimento’. Mas a maioria são funcionais. Não estou dando diagnóstico para ninguém. Há neurodivergências que se entrelaçam. Acho que nunca cruzei, que eu saiba, com alguém que ultrapasse o limite criminoso.”
O papel em Velhos Bandidos
Bonemer contou como conseguiu uma participação no filme Velhos Bandidos, em cartaz nos cinemas. Ele enviou mensagem ao produtor de elenco Raul Nunes Seixas, que inicialmente disse não ter papel para ele. “Falei: ‘Não precisa ter fala. Quero respirar o mesmo oxigênio que Fernanda Montenegro e Ary Fontoura.’ Ele riu e disse que não tinha fala. Um mês e meio depois, me ligou: ‘Você falou que servia cafezinho, mas serve mesmo?’ Respondi: ‘Já tenho a fala: “ó, cafezinho, dona Fernanda”.’ Ele riu: ‘Mas não tem fala. É só passar correndo como bombeiro.’ Fui fazer. No contrato, estava ‘bombeiro dois’. Negociei para ‘bombeiro Torres’, sobrenome do diretor.”
Em defesa dos coadjuvantes
O ator revelou estar desenvolvendo o projeto Coadjuvantes, para enaltecer profissionais que constroem carreira como coadjuvantes. “Protagonismo é um momento da vida. É raro um artista que faz só protagonistas. Fiz muitos protagonistas no teatro, coadjuvantes no audiovisual. Augusto Madeira, Marcelo Vale… têm carreiras brilhantes. Quero 10% da experiência deles.” Sobre a cobrança, disse: “A cobrança é infinitamente menor, mas protagonista dá melhores salários e visibilidade. Já vi colega rejeitar bons trabalhos porque o papel não era grande. Mas tem boleto para pagar. É uma profissão.”
Programa semanal da coluna GENTE
O programa vai ao ar toda segunda-feira. Pode ser assistido no canal VEJA+ no YouTube, Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031), Roku (canal 221) e no Spotify como podcast.



