Cineasta explica coprodução de 'O Riso e a Faca' premiado em Cannes
Coprodução de 'O Riso e a Faca' explicada pela produtora

A produtora Tatiana Leite, à frente da Bubbles Project, concedeu entrevista ao veículo para esclarecer os meandros de uma coprodução internacional, tomando como exemplo o longa-metragem português 'O Riso e a Faca'. A obra, que recebeu o prêmio de melhor atuação feminina na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes em 2025, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 30, distribuída pela Vitrine Filmes. O filme é uma colaboração entre produtoras de Portugal, França, Romênia e Brasil, com filmagens realizadas na Guiné.

Enredo e contexto do filme

Na trama, o engenheiro ambiental português Sérgio, interpretado por Sérgio Coragem, é um forasteiro em uma metrópole da Guiné-Bissau. Ele precisa realizar uma breve análise para viabilizar a construção de uma rodovia que ligará a selva ao deserto do país. No entanto, o urbanismo é apenas uma das preocupações que o afligem, todas entrelaçadas às consequências de seu encontro com dois habitantes locais: o brasileiro Gui (Jonathan Guilherme) e a enigmática Diara (Cleo Diára), de origem guineense e cabo-verdiana. Desse triângulo amoroso peculiar surge o drama que preenche as mais de três horas e meia de projeção.

Participação brasileira na coprodução

Leite explicou que a Europa desenvolveu um modelo rico e efetivo de coprodução. No modelo minoritário, é possível participar artística e tecnicamente de filmes cujas ideias originais vêm de outros países. Em 'O Riso e a Faca', diversos artistas e técnicos brasileiros trabalharam ao lado do diretor Pedro Pinho desde o início. O convite para Leite chegou há dez anos, e logo o diretor começou a escrever o roteiro com a ajuda de Miguel Seabra Lopes, luso-brasileiro. Outros colaboradores surgiram, como a montadora Karen Akerman. Coproduções como essa não apenas levam o Brasil como símbolo, mas também proporcionam troca de talentos para o país.

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Funcionamento das coproduções

Segundo a produtora, o processo começou com o convite de Portugal, irrecusável por sua paixão pelo filme anterior de Pinho, 'A Fábrica do Nada' (2017). Em seguida, ganharam um edital público do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e foram contemplados por adicionais, inclusive da distribuidora interessada. Cada acordo entre países segue regras específicas; no caso Brasil-Portugal, exige-se determinado número de chefes de equipe brasileiros e participação de elenco. 'O Riso e a Faca' é excepcional por contar com uma participação brasileira muito maior que o normal para uma coprodução.

Presença brasileira em Cannes

Leite comentou a queda na representação brasileira em Cannes: em 2025, o festival teve forte presença do país, mas em 2026 o único representante nacional é 'Elefantes na Névoa', do Nepal. Ela explicou que não é todo ano que uma cinematografia não europeia consegue espaço, devido a cotas para filmes do próprio continente financiadas por instituições europeias. As descobertas ocorrem às vezes, e acredita que muitos filmes majoritariamente brasileiros estarão no line-up nos próximos anos. Destacou que Kleber Mendonça Filho é fiel ao festival, e que há outras coproduções como 'La Perra' e 'Paper Tiger'.

Atração de investimentos para o setor

Para tornar o Brasil mais atrativo para coproduções, Leite enfatizou a necessidade de dar estabilidade e regularidade aos editais, criando credibilidade internacional. Países como Chile e Colômbia possuem editais de coprodução minoritária há anos, sendo mais utilizados. Exemplos internacionais incluem o Aide aux Cinémas du Monde (ACM) e o World Cinema Fund. Um calendário regular de editais atrairia mais interesse por trabalhos com o Brasil.

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