Gabriel Domingues revela bastidores da seleção do elenco de 'O Agente Secreto'
Bastidores da seleção do elenco de 'O Agente Secreto' revelados

Gabriel Domingues revela os bastidores da seleção do elenco de 'O Agente Secreto'

Em uma semana decisiva, no dia 15 de março, o trabalho do brasileiro Gabriel Domingues pode se tornar o primeiro a conquistar a estatueta de melhor elenco do Oscar, uma categoria inédita até 2026. Em entrevista exclusiva, o artista carioca detalhou minuciosamente o processo que resultou na amálgama fascinante que compõe O Agente Secreto, filme que tem chamado atenção internacional.

O fenômeno Tânia Maria: uma estrela descoberta aos 79 anos

Dentre o elenco de apoio de O Agente Secreto, uma figura se sobressaiu de maneira extraordinária. Aos 79 anos, Tânia Maria transformou-se em um fenômeno mundial graças à personalidade irreverente que exibe como Dona Sebastiana, a proprietária da estalagem onde Marcelo, interpretado por Wagner Moura, e outros refugiados se escondem da Ditadura Militar.

O papel foi escrito por Kleber Mendonça Filho especificamente com a atriz em mente, após um encontro nos bastidores de Bacurau, onde ela atuou como figurante. Tânia, que viveu como artesã por décadas, jamais havia considerado a carreira de atriz. Quando contracenou com Moura, a equipe da produção pediu que não fizesse alarde, mas ela sequer sabia quem era o galã. "Eu digo que nunca ouvi nem falar. Eu nunca tinha assistido filme com ele. Aí foi normal", revelou em entrevista.

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Desde então, ambos desenvolveram uma grande amizade, destacando a química espontânea que contribuiu para a magia do filme.

Os tão comentados "não atores": uma nomenclatura questionada

"Nos Estados Unidos, eles acham que 90% do elenco é amador", confessou Domingues. A realidade, porém, é bem diferente. A maioria dos papéis de destaque em O Agente Secreto é interpretada por profissionais experientes, incluindo Tânia Maria, que, apesar de ter começado aos 72 anos, já está habituada aos sets de cinema.

Os chamados "não atores", aqueles com pouca ou nenhuma experiência em dramaturgia, assumem papéis menores e foram descobertos por Domingues durante seu meticuloso processo de pesquisa. No entanto, o diretor de elenco resiste a essa terminologia. Sobre o adolescente Robson Andrade, que interpreta Clóvis, ele afirmou: "Talvez ele não fosse profissional, mas já tinha feito teatro na igreja e sonhava em aparecer no cinema. Meu trabalho é entender quanto as pessoas estão abertas a estar em cena. Há uma gradação infinita entre o 'não ator' e o profissional".

A diversidade flagrante: um retrato do Brasil

Segundo Domingues, um elemento crucial para a consagração do filme entre os indicados ao Oscar é a própria configuração diversificada do povo brasileiro. "Temos atores de São Paulo, Minas Gerais, Rio, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, além dos estrangeiros", enumerou.

Entre os talentos internacionais, destaca-se o alemão Udo Kier, um dos atores mais prolíficos do ocidente, colaborador de cineastas renomados como Rainer Werner Fassbinder, Paul Morrissey e Lars von Trier. Kier já era parceiro de Kleber Mendonça Filho, tendo vivido o vilão Michael em Bacurau. O veterano faleceu aos 81 anos em novembro de 2025, pouco após a estreia do filme no Brasil, deixando um legado marcante na produção.

A seleção do elenco, portanto, não foi apenas uma questão técnica, mas um reflexo artístico da riqueza cultural e humana que define o projeto cinematográfico.

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