Em meio a debates acalorados sobre sexo e fé, Vanessa do Amor, 36 anos, tornou-se uma das vozes mais comentadas sobre intimidade conjugal sob a ótica cristã. Criadora de metodologias voltadas à reconexão entre casais e ao resgate do desejo no casamento, ela leva a seus mais de 400 mil seguidores reflexões que combinam psicologia e referências espirituais, enfatizando que o sexo no casamento não é apenas ato físico, mas um presente que revela “propósito e intimidade divinos”.
Casada há 22 anos com Samuel do Amor, 37, também pastor, e mãe de Rebeca, 12, e Pedro, 9, Vanessa une experiência pessoal e espiritual. Servidora da Advec Sorocaba, sexóloga, terapeuta e palestrante, ela conta à coluna GENTE que falar sobre sexualidade não foi um plano, mas uma resposta a um chamado que acredita ter “recebido de Deus”.
Você viralizou nas redes falando de sexo dentro do casamento. Em que momento decidiu que esse seria o seu campo de pregação?
O que sinto é que estou obedecendo a um chamado de Deus, fazendo aquilo que acredito que Ele quer de mim e ajudando outras pessoas em áreas nas quais eu já tinha resoluções na minha própria vida. E tudo começou de forma simples. Eu e meu marido já éramos líderes de jovens e adolescentes, era um público que acompanhava a nossa vida de perto. Conheci o Samuel quando tinha 14 anos e ele foi meu primeiro e único namorado. Quando eu tinha 9 anos, em uma aula na escola dominical da igreja, ouvi falar sobre relacionamentos e casamento. Aquilo me marcou. Pensei: “É isso que quero para a minha vida. Deus vai ter alguém para mim”. Naquele mesmo período, escrevi no meu diário uma lista com as características do homem com quem gostaria de me casar.
Não foi precoce fazer uma lista do “homem ideal” nessa idade?
Muitos podem achar que essa lista foi precoce, principalmente porque eu era inexperiente. Mas, do ponto de vista de terapeuta, entendo que muitas das nossas escolhas vêm da nossa história familiar. No meu caso, meus pais tiveram um casamento estável: minha mãe conheceu meu pai aos 15 anos, se casou com ele e eles nunca se separaram, não houve traição nem conflitos graves. Eu queria alguém aprovado pelos meus pais, alguém de Deus, temente a Deus, que obedecesse a Ele. Tinha que compartilhar a mesma fé e ser bonito.
Em muitos ambientes religiosos, sexo ainda é tabu. Você sofre críticas por falar disso?
É natural que falar sobre o tema de forma direta gere críticas ou resistência. Curiosamente, os vídeos que mais viralizaram não foram aqueles em que todo mundo me aplaudiu. Mas eu não estou aqui por aplausos. Estou aqui porque acredito que existe um chamado.
Na sua experiência aconselhando casais, qual é hoje o maior problema: falta de desejo, falta de comunicação ou excesso de expectativas?
A falta de desejo, muitas vezes, é apenas a consequência de um problema mais profundo: a comunicação ruim dentro do casamento. E essa comunicação falha geralmente acontece porque muitos casais entram na vida a dois sem preparo para lidar com as diferenças.
Você costuma dizer que o desejo pode ser “treinado” dentro do casamento. O que isso significa na prática?
A mulher precisa aprender a despertar o desejo dentro do relacionamento. Ao longo de muitos atendimentos, percebi que muitas mulheres enfrentavam a mesma dificuldade.
Qual é a principal dica você dá para provocar o desejo no parceiro?
Para tornar esse processo mais acessível, criei um método chamado Namore Toda Semana (MTS), para ajudar mulheres a compreender e provocar o desejo dentro do casamento. Muitas vezes, a mulher chega até mim achando que vai aprender técnicas ou performance sexual, como se fosse apenas uma questão de fazer algo diferente na cama. Mas tudo isso exige etapas: mudar a mentalidade sobre sexualidade, curar feridas emocionais, compreender a própria história familiar e construir uma nova forma de olhar para o casamento.
Dar essa responsabilidade às mulheres não é machista?
Digo que a responsabilidade do desejo no casamento é compartilhada.
Muitas mulheres dizem que se sentem culpadas por não ter vontade de transar. O que responde a elas?
A culpa acompanha a mulher de diversas formas. Ela se sente culpada quando não tem desejo pelo marido, acha que há algo de errado com ela. Mas também se culpa quando tem desejo e o marido não corresponde. E essa culpa vai além. Quando a mulher se torna mãe, ela se culpa por não dar conta de tudo. A mulher tem essa tendência de querer abraçar tudo, e muitas vezes se sobrecarrega. É essencial que ela compreenda que não precisa ser perfeita, que não dá para equilibrar todos os “pratinhos” da vida com perfeição.
Sexo é fundamental para manter o casamento?
Quem criou o sexo foi Deus. Quando olhamos para a Bíblia, no livro de Gênesis, vemos a criação de Adão e Eva. E a própria Bíblia diz: “os dois se tornarão uma só carne”. Essa expressão fala justamente da unidade do casal. Agora, quando você pergunta se o sexo é fundamental para manter o casamento, sim. Sexo funciona como uma “cola emocional” entre o casal.
Fala de sexo com seus filhos?
Educo meus filhos de forma que eles se sintam à vontade para me perguntar qualquer coisa, criando uma mentalidade aberta sobre sexualidade. Eles já têm sonhos de construir uma família própria, e hoje veem em mim e no meu marido uma referência de casamento saudável. Mas, claro, eu tenho cuidado: não dou palestras na frente deles, nem participo de conteúdos sensíveis perto deles. Preservo a infância deles.
Por qual motivo a “mulher de Deus tem mais fogo”, como defende?
Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Ou seja, o acesso a Deus se dá através de Jesus. Quando o casal vive em concordância e ora junto, ele consegue se conectar com Deus de forma profunda. As orações são atendidas, a presença de Deus se faz sentir, e isso traz uma paz e uma unidade que não dá para explicar, é algo que se vive.



