Médicos relembram estado crítico de Gerson Brenner após tiro em tentativa de assalto em 1998
Médicos relembram estado crítico de Gerson Brenner após tiro

Médicos detalham estado gravíssimo de Gerson Brenner após tiro em assalto em 1998

O ator Gerson Brenner, que faleceu nesta segunda-feira (23), foi vítima de uma tentativa de assalto em 1998, no auge de sua carreira, sofrendo um disparo na testa que resultou em graves lesões cerebrais. Em entrevista ao g1, médicos que atenderam o artista na Santa Casa de Jacareí, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, relembraram o caso com detalhes chocantes.

Estado crítico e atendimento emergencial

Segundo o médico anestesiologista Dênio Andrade, o estado de saúde de Brenner era extremamente crítico ao chegar ao hospital. "Era um estado gravíssimo. Ele chegou inconsciente, com um disparo na região frontal. Foi dado todo o suporte para ele, toda assistência", afirmou. Imagens de arquivo da TV Vanguarda mostram a multidão que se formou em frente ao hospital de Jacareí e o momento do atendimento.

O incidente ocorreu quando Brenner seguia pela Rodovia Presidente Dutra, de São Paulo ao Rio de Janeiro, para gravar o último capítulo da novela "Corpo Dourado". Na altura de Guararema (SP), seu carro passou por pedras espalhadas na pista, resultando em dois pneus furados. Ao parar para trocar o pneu, foi abordado por criminosos armados, houve luta corporal, e o ator foi baleado na testa.

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Socorrido por caminhoneiros, Brenner foi levado à Santa Casa de Jacareí por volta das 5h, já em coma e com paralisia do lado direito do corpo. Dênio também destacou que o ator não foi identificado imediatamente. "Ele chegou como desconhecido. Ninguém sabia que era ele. Depois é que ficaram sabendo", disse.

Cirurgia complexa e transferência para São Paulo

O médico anestesista Vicente Theodoro Martins, que atuou na cirurgia, descreveu o estado grave do paciente. "Ele já chegou inconsciente, em coma, devido aos ferimentos. O tiro atingiu a região frontal e atravessou o cérebro", afirmou. Brenner foi encaminhado ao centro cirúrgico já entubado, após passar pelo pronto-socorro e pela UTI, onde foi operado por dois neurocirurgiões.

Dênio relembrou a complexidade do procedimento: "Foi uma cirurgia muito complicada. Houve muita lesão cerebral". Apesar da gravidade, o atendimento em Jacareí permitiu a estabilização do ator, possibilitando sua transferência de helicóptero para um hospital na capital paulista. "Essa estabilidade permitiu que ele fosse transferido de helicóptero para São Paulo", disse Vicente.

Após a estabilização, Brenner foi levado ao Hospital Israelita Albert Einstein, onde o projétil foi removido. Ele sobreviveu, mas ficou com sequelas permanentes, incluindo dificuldades de fala, cognição e mobilidade, vivendo com limitações para se locomover, falar e se alimentar.

Impacto pessoal e profissional do caso

Os médicos enfatizaram a complexidade do atendimento e seu impacto. Dênio afirmou: "A gravidade clínica impõe decisões rápidas, atuação coordenada e elevado rigor técnico, independentemente de quem seja o paciente". Vicente destacou a gravidade do ferimento: "Foi um ferimento muito grave, um tiro que atravessou o cérebro. Ele teve uma sobrevida longa, viveu muitos anos ainda, mesmo com sequelas".

O caso também teve um impacto pessoal significativo, dado o auge da carreira de Brenner na época. Dênio comentou: "Era uma pessoa que a gente via todo dia na televisão. Isso acabar de uma maneira bruta choca todo mundo". Vicente acrescentou: "Marcou por ser uma pessoa conhecida, jovem, no auge da carreira. Foi um caso que chamou atenção".

Gerson Brenner morreu aos 66 anos, em decorrência de falência de múltiplos órgãos, enquanto estava internado no Hospital São Luiz, no Itaim, em São Paulo. A morte foi confirmada por sua esposa, Marta Brenner, encerrando uma trajetória marcada por resiliência e desafios contínuos.

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