Em São Paulo, um memorial aberto ao público no Clube Sírio homenageia o lendário jogador de basquete Oscar Schmidt. Quatorze dias após sua morte, o número que Oscar carregava nas costas foi a oportunidade para uma última homenagem. O velório e a cremação do ex-jogador foram realizados de forma reservada, mas diante de muitas mensagens de carinho, a família decidiu que era preciso ir além e criou um memorial para que a vida e a obra de Oscar pudessem ser exaltadas.
Família e amigos prestam homenagem
“A gente sabe que além de um pai para mim, um marido para minha mãe, ele marcou a vida de muita gente, então era um direito nosso como família de estender o momento para o público”, diz Pedro Schmitt, filho de Oscar. O ginásio do Esporte Clube Sírio, em São Paulo, uma das equipes que ele defendeu, tornou-se uma grande exposição com registros de uma carreira de quase três décadas. Um ambiente propício para que amigos conseguissem voltar no tempo.
Memórias de amigos e companheiros de quadra
Washington Josepho, o Dodi, estava com Oscar em quadra na conquista do Mundial de Clubes de 1979 e carrega até hoje na retina a imagem do colega que mudava de cor de tanta vontade de ganhar. “Ele ficava vermelhão, o sangue subia, e eu falava: ‘você está com febre de 39 graus’, e eu sabia que nesse momento ele iria destruir o jogo”, comenta Dodi.
Foram 49.737 pontos na carreira. Muitos frutos de assistências do Maury de Souza, armador que integrou o elenco da conquista que Oscar mais exaltava: a do Pan-Americano de 1987 sobre os Estados Unidos. Maury lembra do discurso do amigo quando o Brasil perdia por 20 pontos. “A virada partiu dele ali no vestiário. Nós havíamos perdido para os EUA numa semifinal no ano anterior, no Mundial, e ele relembrou a todos o quão duro foi, e puxou todo mundo para cima”, diz Maury.
Para o Chicão, após uma amizade de cinco décadas, era preciso vir aqui para colocar um ponto final. “Meu coração é um coração ferido. Mas essa ferida vai passar. Eu só quero agradecer, porque ele está em um bom lugar. O Oscar é grande”, comenta Francisco Bandeira, amigo.
Assim, nas memórias dos que ficam, a história sobrevive. É sempre bom recordar Oscar.



