Ascensão e queda? As incertezas sobre o favoritismo de Timothée Chalamet no Oscar
Até algumas semanas atrás, os palpites para o vencedor do Oscar 2026 de melhor ator eram dominados por um nome: Timothée Chalamet, o astro de 30 anos conhecido por sua ambição indômita, canalizada com maestria no papel principal de Marty Supreme. Sua enorme fama, porém, tem se mostrado um empecilho em vez de um ponto favorável, em meio a uma campanha marcada por polêmicas e declarações controversas.
Campanha ruidosa e estratégias ousadas
Em vez de recorrer às vias convencionais que levam à estatueta do Oscar, Chalamet fez campanha com pouca sutileza. Um "vendedor" nato, como o descreveu o cineasta Josh Safdie, o jovem recorreu à publicidade chamativa. Foi assim que Marty Supreme foi parar no evento CCXP em dezembro, com cacife que fazia lembrar o de um novo arrasa-quarteirão da Marvel.
Chalamet também popularizou uma jaqueta estilizada com o logo do filme nas redes sociais, enviada para diversas celebridades, e foi o primeiro homem a subir ao topo da gigantesca esfera de Las Vegas, cujos 54.000 metros quadrados de LEDs emitiram a imagem de uma bola de tênis de mesa laranja junto ao título do longa. Até sua vida pessoal foi voltada para a promoção do filme: sua namorada, a empresária e figura da televisão Kylie Jenner, converte todos os eventos ligados ao projeto em manchetes nos tabloides.
Antes disso, ele já havia confessado o desejo de conquistar a grandeza: "A verdade é que quero ser um dos grandes. Me inspiro em Daniel Day-Lewis, Marlon Brando e Viola Davis tanto quanto em Michael Jordan e Michael Phelps", disse em 2025 no palco do SAG Awards.
Polêmicas e desgaste da imagem pública
O que é visto como garra por alguns, parece vulgaridade para outros. Além disso, sua onipresença no noticiário causou um desgaste de sua imagem pública. Por outro lado, é possível argumentar que tamanho alarde em torno de um ator é uma raridade dentro da Hollywood descentralizada de hoje. Chalamet ocupa, inegavelmente, espaço ímpar dentro do imaginário popular.
A maré se voltou contra o ator de vez na última semana, quando um trecho de uma entrevista concedida a Matthew McConaughey viralizou. Nele, Chalamet diz que não quer trabalhar em "balé, ópera, ou coisas nas quais é preciso se esforçar para manter uma coisa viva, ainda que ninguém mais ligue". A comunidade artística tem rechaçado a fala como desrespeito, enquanto seus defensores enxergam a constatação como resistência do ator à transformação do cinema em um interesse de nicho — medo provocado dentro da indústria pela rápida ascensão do streaming e da inteligência artificial, a diminuição de salas ao redor do globo e mudanças de paradigma como a fusão entre Warner e Paramount.
Isso afeta as chances de Chalamet no Oscar?
O barulho provocado pela opinião de Chalamet sobre balé e ópera não afeta as chances do ator no Oscar, isso porque o período de votação foi encerrado na última quinta-feira, 5 de março. Toda e qualquer polêmica disseminada desde então é inconsequente para o prêmio. Ainda assim, sua vitória está longe de ser uma certeza.
Chalamet venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice, além de outros 23 prêmios por Marty Supreme, mas perdeu tanto o Bafta quanto o Actor Award. Este último, organizado pelo sindicato dos atores de Hollywood, foi entregue a Michael B. Jordan por Pecadores, que logo se tornou favorito à categoria. No momento, ele e Chalamet passam por uma disputa acirrada — e Wagner Moura pode surpreender, caso tenha sido abraçado pela ala internacional da Academia.
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